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5 mulheres para admirar

Março, mês do Dia Internacional das Mulheres, chegou ao fim. Mas este não pode ser o único momento de mobilização para conquista de direitos e discussão sobre as violências sofridas pelas mulheres. É preciso estar sempre atentas e em luta! Por isso, listamos aqui 5 mulheres admiráveis, visando trazer inspiração para o resto do ano!

Madalena Caramuru

(☆ primeira metade do século XVI | † desconhecido)

Filha do português Diogo Álvares Correia, o Caramuru, e da índia tupinambá Paraguaçu, Madalena Caramuru se casou em 1534 com Afonso Rodrigues, que a alfabetizou.

Em 1561, Madalena escreve ao padre Manoel da Nóbrega, chefe da missão jesuítica no Brasil, exigindo o fim dos maus tratos às crianças e o início da educação feminina — inclusive oferecendo ajuda financeira para tal.

Apesar de ter o pedido negado pela corte portuguesa (as mulheres passam a frequentar as escolas apenas em meados do século XVII), Madalena representa um marco na luta pelos direitos das mulheres e entrou para a História ao ser a primeira mulher brasileira alfabetizada, além de ser a primeira a utilizar o código linguístico em defesa da educação.

Nísia Floresta

(☆ 12/10/1810| † 24/04/1885)

Dionísia Pinto Lisboa, a Nísia Floresta, teve uma história repleta de lutas e conflitos desde muito nova.

Aos 22 anos, lança seu primeiro livro, Direitos das mulheres e injustiça dos homens, uma obra subversiva que trata do feminismo pela primeira vez na literatura brasileira.

Anos mais tarde, funda no Rio de Janeiro o Colégio Augusto para meninas, sendo novamente pioneira. Na época, quando frequentavam a escola, as meninas aprendiam apenas Português, Francês, Contas básicas e bordado. Na escola de Nísia, as aulas eram de Inglês, Italiano, Francês, História, Geografia, Matemática, Caligrafia, Latim, Português, Música, Dança, Desenho e Educação Física. Com isso, foi muito atacada na imprensa e sua resposta vem em forma de artigos, poemas e livros que são até hoje reconhecidos mundialmente. Sua luta incluía também a abolição da escravidão, a República, o direito dos indígenas e a liberdade religiosa.

Bertha Lutz

(☆ 02/08/1894| † 16/09/1976)

Filha do cientista Adolfo Lutz e da enfermeira Amy Fowler, Bertha cursou Biologia em Paris, na França.

Ao retornar ao Brasil, em 1918, importa consigo ideais sufragistas* e divulga uma carta na Revista da Semana convidando as mulheres a se organizarem não somente pelo direito ao voto, mas também ao trabalho e educação.

Funda, aos 25 anos, a Liga para Emancipação Intelectual das Mulheres, que passa a pressionar os senadores pelo sufrágio feminino, que anos mais tarde, em 1932, é instituído por Getúlio Vargas (12 anos antes de ser instituído na França).

Em 1934, Bertha faz parte do comitê que elabora a Constituição, que promove a igualdade de direitos políticos, ou seja, as mulheres passam a poder se canditar a cargos políticos também.

E é justamente o que Bertha faz: se candidata a deputada federal e se torna a primeira suplente, assumindo o cargo em 1936.

Apesar de, no ano seguinte, o Congresso ser fechado pelo Estado Novo, Bertha ainda teve tempo de apresentar o projeto de lei do Estatuto da Mulher e de propor a criação do Departamento Nacional do Trabalho Feminino, Maternidade, Infância e Lar.

Bertha, porém, nunca abandonou a militância, seja presidindo a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, seja representando o Brasil em conferências e comissões. Foi eleita Mulher das Américas pela União das Mulheres Americanas, em 1951.

*O Movimento Sufragista foi uma luta política, social e econômica com o objetivo de estender o sufrágio (direito ao voto) às mulheres.

Antonieta de Barros

(☆ 17/07/1901| † 28/03/1952)

Antonieta nasce 03 anos antes da Lei do Ventre livre. Sua mãe, Catarina Waltrick, escravizada em Santa Catarina, passa a trabalhar como lavadeira após a abolição da escravidão e abre uma pensão como forma de complementar a renda.

É na pensão de sua mãe que Antonieta tem contato com estudantes e avança em seus estudos, concluindo a Escola Normal (o mais longe que as mulheres podiam chegar naquela época), e se torna professora.

Além de ensinar, passa a defender na imprensa o acesso à educação avançada e à cultura, bem como a escrever centenas de artigos e crônicas, tudo isso sem deixar de atuar em associações de professores e intelectuais e na luta pelo sufrágio feminino.

Foi a única mulher a se candidatar, em 1935, à eleição da Assembléia Constituinte. Primeira líder negra a assumir um mandato popular no Brasil, atuou por melhorias na educação e nas condições de trabalho dos professores, reivindicando ainda o reconhecimento da contribuição das mulheres para a História do País.

Laudelina de Campos Melo

(☆ 12/10/1904| † 12/05/1991)

Negra, nascida pouco depois da abolição da escravidão, Laudelina desde jovem lutava contra o racismo.

Na adolescência frequentou e organizou grupos e associações culturais para a população negra.

Percebendo os recortes de gênero, raca8e classe que afetavam não só ela, mas as pessoas ao seu redor, filia-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e funda a primeira organização com o objetivo de garantir os direitos trabalhistas das empregadas domésticas, bem como oferecer serviços assistenciais e educativos às trabalhadoras, a Associação de Empregadas Domésticas de Santos.

Em 1953, deixa de trabalhar como empregada doméstica, e se envolve ainda mais com o Movimento Negro, organizando diversas atividades para a valorização da cultura afrodescendente.

Mesmo não sendo mais empregada doméstica, em 195, Laudelina não deixou de se preocupar com a categoria, e fundou, em 1961, a Associação Profissional Beneficente das Empregadas Domésticas, onde luta pela regularização da profissão e oferece assistência jurídica e social, educação e creches às domésticas.

Três anos antes de sua morte, em 1988, a Constituição passa a asseguras diversos direitos às domésticas, como 13o salário, licença maternidade e aposentadoria. A memória de sua luta está preservada na Casa Laudelina de Campos Melo, em Campinas, São Paulo.

Fontes

• CARARO, Aryane; SOUZA, Duda Porto de. Extraordinárias: mulheres que revolucionaram o Brasil. São Paulo: Seguinte, 2017.
• Ilustração de capa de Sarah Grass
(Este não é um post publicitário, mas as histórias destas e de muitas outras mulheres incríveis estão no livro acima, com ilustrações de mais mulheres igualmente incríveis! Recomendo muito, mesmo!)

De humanas, de miçangas, das artes e do amor. Nunca sabe o que dizer nessas auto-descrições.

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