Críticas,  Literatura

Resenha | A arte da imperfeição, de Brené Brown

Escrito pela Ph.D. Brené Brown, o livro — que não é de autoajuda — fez-me pensar na minha vida e nas mudanças que eu posso fazer nela. Toda e qualquer pessoa que se propor a ler o que essa (incrível) pesquisadora tem a dizer ficará surpreso por encontrar, em palavras de uma desconhecida, situações e sentimentos com os quais convivemos senão diariamente, repetidas vezes em nossa vida.

Basicamente o que guia o livro seria a pergunta “O que os outros vão pensar?” que na pesquisa comprova que é uma frase encontrada em diversas situações do nosso cotidiano. Vergonha é uma delas, e (estragando um pouco a surpresa do livro) uma das primeiras coisas que lemos é que ela não é positiva e que depende apenas de nós para se encerrar.

Cito especificamente a vergonha pelo simples fato de que foi algo que descobri sozinha, e sei que qualquer pessoa que fizer o que é dito no livro também deixará de senti-la. É bem simples: a vergonha acaba quando falamos dela.

Pense em uma situação que te fez ficar vermelho, rosto queimando, mãos suadas e um sorriso meio torto, meio sério. Algo que você pensaria que jamais contaria para alguém. Esqueça essa última parte, escolha alguém em quem você possa confiar e… Conte! O que era vergonhoso deixa de ser, a vergonha surge do que é guardado, do que não pode ser descoberto e do medo de vá ser, um dia, descoberto por alguém.

Sua pesquisa é inspiradora por tratar do ser humano e suas vivências, inclusive a da própria autora que é praticamente personagem principal de seu livro, com situações hilárias e não tão hilárias assim que levam o pensamento a nós mesmos e nossas situações, nossas vivências, dificuldades e sentimentos.

Tópicos como medo, autenticidade e coragem são tão amplamente explorados que compartilhamos de pelo menos, e, com sua escrita leve, o assunto torna-se simples, leve, de fácil entendimento e muito mais fácil de aceitar quem somos, e não quem deveríamos ser seguindo padrões que ninguém sabe quem estipulou.

A Arte da Imperfeição, de fato, funciona muito como uma conversa. Suas dúvidas são tiradas em termos não técnicos, uma história é contada para que você não só entenda, mas compartilhe dela também, e te faça imaginar suas histórias para contar sobre aquele assunto.

Peguei-me diversas vezes, durante a leitura, contando para mim mesma (ou para o próprio livro) como uma situação específica me atingiu, como me atingiu e por quê. O que eu poderia ter feito, e fazer caso passe por algo similar novamente, para torná-la mais fácil?

Brené conta sua experiência própria e nos envolve em sua pesquisa a ponto de acessarmos seu site e enviarmos um e-mail, torcendo para que ela leia, demonstrando uma possível admiração e contando um pouco da sua história, sem que ela tenha perguntado nada diretamente para você. Bom… Pelo menos foi o que eu fiz assim que terminei a leitura.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!