Literatura

Resenha | Água para Elefantes, de Sara Gruen

Água para Elefantes é o tipo de livro que realmente nos faz passar por diversas emoções em apenas pouco menos que trezentas páginas. Iniciando de forma um tanto quanto oposta ao filme, mostra Jacob enquanto ainda adolescente, estudando para as provas para tornar-se veterinário até descobrir a morte de seus pais em um acidente de carro e, devido a uma série de outros motivos, acabar por se jogar em um trem.

Um trem circo. De onde poderia ter sido jogado imediatamente, entretanto foi acolhido por Carmel, um futuro amigo que — na época em que beber era proibido — dava seus jeitos para que uma bebida nunca lhe faltasse à mão.

Chamou-me a atenção o fato de Sara não ter tido a ideia de escrever um livro e então ir pesquisar sobre. O assunto a interessou tanto que a fez acabar escrevendo um livro — um dos melhores que li até hoje. Em questão de escrita, não há nada excepcional e diferente, o que — de forma estranha — cabe perfeitamente ao tipo de livro que ela se propõe a escrever e, inclusive, na medida do possível, torna-o melhor.

Personagens com características muito bem delineadas, fato notável principalmente pela história ser contada por um Jacob já idoso, de nada mais nada menos que 93 anos — mesmo crendo que a idade não tem tanta importância assim.

Para ele, podia-se facilmente ter 90. Ao ver sua personalidade e pensamentos, é possível enxergar nele o mesmo Jacob com vinte e poucos anos de idade, que em meio a confusão que se tornou sua vida, entrou em um mundo completamente diferente do qual estava acostumado, mudando, para sempre, sua vida.

É também através dele que conhecemos sua futura mulher. E é a história de ambos que ele pretende contar. Claro que, como plano de fundo, há um circo. Entretanto não se pretende, com o livro, mostrar a magia que há em volta dele, nem dentro, muito menos no que ocorre por fora. Inclusive, fala-se muito na divisão ‘artista’ e ‘operário’, como se fossem de raças diferentes e que, portanto, seria impossível ocorrer qualquer tipo de mistura.

Se tenta mostrar algum lado do circo, certamente é o obscuro, inventado até certa parte, como ela especifica no fim do livro, quando fala de suas inspirações para escrevê-lo.

É possivelmente por isso que o livro torna-se tão incrível. Uma história de amor, romance, na qual realmente se pode falar a frase (que, particularmente, gostei muito): “a vida é o maior espetáculo da Terra”. E, de fato, é mesmo.

Carioca apaixonada por marketing na casa dos 20 e tantos com uma grande incapacidade de ficar parada e uma vontade louca de conhecer o mundo.

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