Revista

Ainda encontro a máquina do amor

Quanto se inventa por ai? Tanta tecnologia, tantos avanços, tantas novidades surgindo o tempo inteiro, pra todo lado, olhamos em volta e pensamos: “Nossa, não falta mais nada!”. Mas e se pudéssemos inventar um jeito de não nos magoarmos mais? De não magoarmos mais as pessoas que amamos? Imagine se existisse um máquina capaz de desfazer os cortes e arranhões de nossos corações?

Sim, era tudo que eu queria, grito insanamente aos cientistas, sejam rápidos! Descubram um jeito de produzir amor, uma máquina do tempo que volte diretamente ao ponto em que fizemos alguma escolha errada que na hora não percebíamos o quanto machucaríamos aqueles que amamos. Tudo que eu queria era ser capaz de inventar um jeito de voltar atrás e não machucar você, na verdade, não machucar nenhum de vocês. Um jeito de acabar com a culpa.

Imagina viver em uma sociedade sem a dor que o amor produz. Mãe e filho se dando amor na medida e da maneira certa, casais apaixonados durando finalmente para sempre. Amigos que não se desentendem, não se estranham, não se machucam. Até quando? Até quando a maior dor de viver será partir corações, ter seu coração estraçalhado por más escolhas, por indecisões, por confusões por medo de nós mesmos e por parte dos que amamos.

Queria nunca ter que me blindar para o amor. Queria nunca ter medo de me jogar, por saber que qualquer deslize era só ligar pra um PHD de ciências qualquer e voltar atrás. Poder evitar tudo que fiz de errado, todas as minhas falhas e as suas. Por favor sr. cientista, resolva isso. Acabe com a dor do meu coração, do seu coração e de todos os corações infantis que foram obrigados a amadurecer em direção a frieza por sofrimento, por se partir.

Quero me jogar, quero não ter medo, quero amar como se deve, ser boba, infantil, namorar da janela e sonhar escutando uma musica doce, com a minha consciência tranquila que eu dei para todos que um dia me deram o amor mais pleno possível. O amor mais intenso capaz de ser produzido pelas batidas do meu coração.

Então me desculpem os romancistas, os psicólogos, os amantes da guerra, os boêmios, os artistas, talvez até os filósofos, mas eu preferia não ter dor ao amar, eu preferia não ter que carrega a carga de tudo que eu devastei tentando entender a vida, tentando entender um sentimento tão complexo que parece não existir resposta ou definição.

A maturidade é pesada, e forte, e parece te empurrar para o chão, aprender a amar como adulto. Quer dor pior do que sofrer de amor? Estar com um corpo totalmente saudável mas um coração fraco e doente, totalmente machucado? Então chega disso! Chega de sofrer a dor do amor, inventem logo um jeito de arranca do meu peito o que me causa tanto terror!

Sr. cientista é realmente urgente, por favor, seja rápido, crie a máquina do amor!

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