Teatro

Quando uma homenagem se transforma em boa poesia dramatúrgica: Ariano – O Cavaleiro Sertanejo

O mais recente espetáculo da Cia Os Ciclomáticos Companhia de Teatro que estão fazendo 22 anos de resistência cultural, realizando teatro no Rio de Janeiro, pelo Brasil e até mesmo no exterior estão agora no SESC Rio de Janeiro, mas especificamente no SESC Tijuca até o dia 08 de julho com uma homenagem emocionante ao escritor brasileiro Ariano Suassuna morto recentemente.

A companhia estreou Ariano – O Cavaleiro Sertanejo, com autoria e a direção de Ribamar Ribeiro, líder do grupo.

Seis cavaleiros a procura do lendário autor Ariano Suassuna, invadem com música e poesia a fictícia cidade nordestina de Amorial. Eles cantam e contam sobre a lenda do cavaleiro nordestino, aquele que nasceu, amou, viveu e lutou usando as armas mais potentes: a pena e a tinta. O cavaleiro andante de mistérios e mitos, deixou seu legado e perpetuou suas histórias e foi intitulado Ariano – O Cavaleiro Sertanejo.

O espetáculo dos Ciclomáticos não tem nada de originalíssimo que fuja a linguagem e a maneira que mormente se montam Suassuna, exceto a capacidade da Cia de atuar alicerçada numa dramaturgia corporal que requer uma precisão pois a partitura de movimento que serve a cena é quase uma outra personagem do espetáculo.

Essa montagem em especial contextualiza o universo de Suassuna com a presença da contemporaneidade ao utilizar self e uma “boa mãe” Maria, uma mulher sincretizada.

Ariano – O Cavaleiro Sertanejo

Assistir os atores dos Ciclomáticos em cena, dessa vez são eles: Carla Meireles, Fabíola Rodrigues, Getúlio Nascimento, Júlio Cesar Ferrreira, NÍvia Nascimento e Renato Neves é como assistimos um corpo humano e seus órgãos em plenas realizações das funções e a química perfeita acontecendo dentro daquele organismo.

Esse corpo tem coração, pulmão, estomago, fígado, rim baço, pele, etc. E com uma saúde invejável. Essa sintonia claro que foi construída ao longo dos seus 22 anos de existência. O teatro que eles fazem só e possível se fazer porque a Cia se conhecem como ninguém dentro e fora da cena. Não sei se em algum momento da trajetória dos Ciclomáticos isso possa vir a atrapalhar.

O fato que por ora essa conivência “grudenta” no bom sentido, faz lembrar as gerações de famílias circenses, ou das trupes da Comedia dell’arte nos fins do século XVI, aliás a direção de Ribamar Ribeiro dialoga nessa montagem com o gênero italiano que Suassuna que também bebia da fonte, nos moldes Carlos Goldoni que foi um craque da Commedia dell’arte italiana.

Outro elemento presente sempre nos espetáculos ciclomatianos é o cuidado com a trilha sonora e preparação vocal de Getúlio Nascimento que funciona como um diretor musical da Cia.

Os Ciclomáticos prisma por estarem todos em cena, mesmo quando não estão em cena. Outra característica positiva de teatro de grupo que se algum ator não estiver em alguma montagem de um espetáculo, com certeza ele está nos bastidores ou pulverizados na ficha técnica ou em ambas as funções.

Os figurinos e visagismo de um modo geral é sempre de bom gosto e leva a grife de André Vital. Em o Cavaleiro Sertanejo Vital mistura referências nordestinas, mas com toque de contemporaneidade.

Assistir os espetáculos da Cia Os Ciclomáticos é a certeza que você vai sair de casa e vai assistir teatro com “T” maiúsculo.

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