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Arrisque-se e transforme o seu mundo!

Já são favas contadas que as ações dos homens ao longo do tempo é que modificam o curso da história. Porém, o que leva os indivíduos há transformarem seu espaço de convivência é algo plural. Cada contexto “produz” as sua incoerência e paradoxos, levando os seres a agirem e remodelarem seu ambiente de vivência.

Em milhares de casos revolucionários, motins e revoltas, muitos do que assumiram atitudes para alterar sua realidade fizeram-nas, em inúmeras vezes, empenhando suas forças naquele exato momento, “pagando para ver” o que aconteceria no futuro. Porém, não no sentido de omissão. Sabiam que as consequências poderiam ser terríveis, mas arriscaram sem se importar com a opinião pública ou com a dos mais próximos.

O que dizer de Elizabeth Eckford e James Meredith que romperem o contexto de segregação racial nos EUA. A primeira, junto a outros oito estudantes negros, no ano de 1957, foram considerados transgressores ao matricularem-se na Little Rock Central High School, reservada apenas para alunos brancos. O governo federal, com o envio do exército, garantiu a entrada dos estudantes que eram insultados e achincalhados por suas atitudes.

Já James, primeiro negro a formar-se na Universidade do Mississipi, não temeu transferir-se para a faculdade após muitas ameaças, seguiu em frente, mesmo com o pedido rejeitado, acionou a justiça que lhe garantiu o direito de estudar. Precisou de escolta policial e das Forças Armadas em um dia que envolveu dois mortos e muitos feridos, alcançando seus objetivos e auxiliando o de vários outros alunos que viriam depois dele.

A verdade é que para causar mudanças no funcionamento de nossa sociedade sempre é preciso um entendimento de que a inércia não produzirá uma transformação. A “revolução nossa de cada dia” acontece em nosso pensamento, em uma compreensão de que a sociedade está anômica e exageradamente contraditória, isso porque as pequenas contradições, às escondidas, quase nunca provocam uma nova configuração.

Àquelas que estão escancaradas, cobram a todo o momento um posicionamento dos indivíduos, seja através da ação ou do pensamento, causando maior impacto. “Pagar para ver” não é permanecer inerte.

A partir dessa percepção, enxergando as contradições, o próximo passo é colocar em prática atitudes que realmente converterão nossa sociedade em uma nova configuração. Talvez, o grande erro para muitos analistas é exigir uma mudança extraordinária de forma conjunta.

Embora vivamos em um mundo globalizado, há pontos que nos conectam, mas os seres humanos parecem buscar aquilo que os diferencia. A chamada coesão é algo extremamente custoso e para que ela se concretize, muito antes, é preciso uma metamorfose de comportamento em cada um.

Quiçá, os revolucionários de nosso tempo ajam em ambientes menores. Um professor em sala de aula, um indivíduo em uma conversa entre amigos, um escritor com seu livro longe de ser um best-seller. Todos os espaços são possíveis para gerar debates, questionamentos e novos pensamentos.

Acima de tudo, só podemos falar em um mundo diverso, se essa diversidade for respeitada. Essa postura é essencial. E, inquestionavelmente, em determinados momentos, precisamos arriscar, tencionar e acreditar que uma decisão diferente pode mudar o seu redor e depois, quem sabe, o mundo.

2 Comments

  • martinho

    Parabéns excelente texto, acredito que realmente arriscar é a melhor forma de conquistar alguma coisa, as vezes agente fica com medo, mas quando as coisas acontecem, esse medo se transforma em uma força espetacular, gostei da resenha parabéns

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