Saúde Mental

As palavras não ditas e o peso que carregamos por não dizê-las

Sou Psicóloga de formação. E isso diz muito. Não sobre mim, mas sobre os outros. Freud certa vez disse: “Quando Pedro me fala de Paulo, sei mais sobre Pedro do que de Paulo“. As palavras são poderosas. Criam uma força inimaginável quando ditas em voz alta, podem iniciar guerras ou amores e quando não ditas…

Se transformam num monstro, com a pior imagem que puder imaginar. Foi Jacques Lacan, psiquiatra e psicanalista francês, quem “reinventou” os estudos freudianos, o inconsciente antes dito por Freud como sendo uma Simbologia presente nos sonhos, agora estruturado como sendo uma linguagem.

As palavras não ditas têm mais peso em nós do que aquelas que são. Guardamos estas com tanta preocupação, com tanta agonia, que nosso inconsciente trabalha a favor de que elas sejam ditas. E ouvidas. Quantos pesadelos você tem? Quanta insônia? Quanto estresse?

A culpa não é dos filmes de terror que você assiste, ou da quantidade de cafeína que você ingere, muito menos do insuportável do seu chefe. A culpa é simplesmente nossa. E do nosso achar tão desnecessário e incoerente, de que não dizer o que sentimos é melhor. Nos poupa da frustração. Do não. Da dor.

Disse Lacan: “A palavra não dita é a angústia presente no sujeito. Sendo a cura através da palavra“. Basicamente o estudo psicanalítico Lacaniano acerca da teoria freudiana consiste em estruturar a angústia (o mal estar) como uma linguagem própria do inconsciente.

Nosso Eu é formado por ela. Castigado por ela ou acarinhado por ela. O falar, aqui, é mais importante do que o sentir. Existimos muito antes de nossos pais nos desejarem (ou não). Existimos a partir da fala de nossas mães na infância enquanto brincavam com bonecas, da fala de nossos pais ainda jovens numa roda de amigos. Eu existo pelo que falam de mim, antes de mim. Antes de tudo.

A falta do falar nos torna propícios à companhia de psicopatologias. Nos torna fáceis de sermos vítimas de um estado depressivo ou ansioso.

Eu tenho tanto para dizer, mas não há quem possa me ouvir“. A Psicologia é o estudo de toda e qualquer relação humana. Psicólogos não são seus melhores amigos. São profissionais capacitados em compreender o ser humano a partir de conhecimentos científicos. Não existe achares ou conselhos.

Existe a bagagem científica e de campo que será analisada a partir da individualidade do sujeito para melhor ajuda-lo a lidar com a sua angústia. Em outras palavras, somos os “cientistas da escuta“.

A fala do sujeito nos importa. Importa MUITO. Importa o que diz e como diz. E quantas vezes diz. E se não diz, aí mora o perigo. Deveríamos encher as cidades com placas de “CUIDADO: NÃO FALAR O QUE SENTE PODE GERAR SÉRIOS DANOS À SUA SAÚDE MENTAL“. Será que assim os inconscientes seriam finalmente ouvidos? Será que assim as pessoas conseguiriam se sentir mais abertas a expor o que sentem?

Não falar sobre o que sente não é ser forte. Não falar sobre o que sente não é ser frio. É preocupante. Durante a nossa vida como seres sociais no social aprendemos dois tipos de alfabeto: o alfabeto das palavras e o alfabeto dos sentimentos.

Aprendemos o alfabeto das palavras para sabermos falar o que aprendemos com o alfabeto dos sentimentos. Acredite, ouvir algo dolorido não dói mais do que manter a dor amordaçada em sua mente. Em algum momento entre o futuro e o presente ela vai gritar tão alto que pode te ensurdecer.

Se você carrega uma bagagem pesada de angústia nunca falada aí dentro de você, essa bagagem que ocupa um espaço tão desnecessário, procure ajuda. Não há nada do que se envergonhar. Nem temer. NUNCA é tarde para buscar qualidade de vida! Para finalmente VIVER.

Eu conheço bem quem pode te ajudar.

Prazer, Psicóloga.

Psicóloga Criminal, pós graduanda em Perícia Criminal e Toxicologia Forense, quase especialista em Serial Killers. Escritora por amor.

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