Séries

Big Little Lies: uma camada extra de sororidade muito bem trabalhada

Se você procurar em um dicionário o significado para a palavra sororidade, é quase certeza de que não o encontrará, ou talvez você será redirecionado para a palavra fraternidade – isso mesmo, fraternidade. Por que será que o companheirismo sempre aparece reservado para os homens e que nós, mulheres, devemos nos considerar rivais?

Podemos definir a sororidade como uma união entre as mulheres, o que está fortemente ligado ao movimento feminista e se baseia em empatia, companheirismo e respeito mútuo. Para isso, devemos esquecer e apagar permanentemente da nossa memória os pré-conceitos que recebemos em nossa educação pautada em uma sociedade patriarcal e machista, onde julgamos o comportamento de outras mulheres e, às vezes, os nossos próprios.

Sendo esta atitude tão arraigada que podemos não nos dar conta de que fazemos isso diariamente. O julgamento vem de formas que não percebemos: nas roupas curtas ou não femininas, no andar sozinha à noite e no medo que não nos faz agir em defesa de outra mulher que é agredida (verbal, moral ou fisicamente) em um local público ou particular.

Essa mudança da nossa forma de pensar é dada em pequenos passos, e não duvidamos que mudar esses conceitos é extremamente difícil. Todavia, é uma caminhada necessária para chegarmos a uma sociedade iqualitária.

O que me leva há alguns meses atrás, quando estava em casa descansando e procurando na TV algo para assistir, sem nada bom na programação. Foi quando encontrei Big Little Lies, que me chamou atenção pelas propagandas na rua, o trailer em um artigo online, mas classifiquei cedo demais como mais uma série na qual mulheres ricas sem mais nada para fazer se ocupam dando rasteiras umas nas outras e destilando veneno em suas casas de Barbies e Kens. E errei.

Me apaixonei pelo seriado já na abertura: trilha sonora incrível, fotografia sensacional e uma promessa de série diferente do que eu esperava. Com Alexander Skarsgärd na temporada, bem, decidi arriscar. E não poderia ter me surpreendido mais.

Alexander é o de menos, o relevante aqui são as personagens, o quão complexas elas são, sem a clássica mocinha injustiçada/rival-vilã e o príncipe salvador da pátria, moral e bons costumes. A classificação de “Pretty Little Liars para adultos” não poderia ser mais errada.

Baseado no livro de Liane Moriarty, lançado pela editora Intrínseca, acompanhamos a história de três protagonistas: Madeline, Jane e Celeste; as três moradoras de uma comunidade rica na Califórnia. Logo no primeiro capítulo sabemos que alguém foi assassinado, mas não sabemos quem, nem por quem, nem a circunstância. É a partir daí que a trama se desenvolve.

No decorrer dos episódios outras personagens são apresentadas e outras duas mulheres chamam a atenção: Renata e Bonnie. Madeline e Celeste são amigas e, juntas, “adotam” Jane, que é nova na cidade, já no primeiro encontro. Madeline possui um temperamento bem difícil, mas, logo no primeiro dia de aula, quando um problema com os filhos coloca Jane contra Renata, coloca-se em favor de Jane.

Apesar do embate inicial, é justamente na dissolução dos conflitos entre as personagens, e na consequente união delas, que a série se pauta. A todo momento se ressalta a importância de educarmos mulheres capazes de se apoiar, unir e proteger mutuamente.

O que percebo neste seriado é que somos pessoas complexas, com defeitos e qualidades, mas nada disso torna necessário que nos tratemos como inimigas – somos, sim, mais fortes quando juntas.

Com apenas 7 capítulos, Big Little Lies tem previsão para retornar em uma segunda temporada. Vale ressaltar o quanto Nicole Kidman, Reese Witherspoon, Shailene Woodley estão incríveis em seus papéis e o quanto quero vê-las novamente na pele dessas mulheres.

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