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Deuses Americanos: Sombras, de Neil Gaiman

Deuses Americanos, sucesso de Neil Gaiman já resenhado aqui, voltou aos holofotes nos anos recentes com novas adaptações.

A obra literária de grande sucesso se expandiu tanto para a televisão com a série produzida pela emissora norte-americana Starz, quanto para os quadrinhos, publicados aqui no Brasil pela editora Intrínseca em um volume encadernado parte de uma trilogia.

Duas empreitadas ambiciosas para uma produção artística tão multifacetada e que produziu um impacto gigantesco quando foi apresentada em 2001. Uma história que transita entre temas religiosos e políticos, misturando o místico e o mundano, contando a história de imigrantes divinos e mortais.

História essa que se mistura às raízes dos EUA: suas contradições, suas origens multiculturais e os processos que lapidaram o país.

O primeiro volume da adaptação em quadrinhos Deuses Americanos: Sombras busca transportar para a ponta do lápis o real e o surreal. O que faz dessa nova leitura algo tão significativo é a própria natureza da obra.

Num mundo em que a crença e o ceticismo são capazes de criar e destruir deuses, aquilo que os nossos olhos veem no papel e o que imaginamos em nossas mentes ganha uma conotação especial. Como você imaginou Mad Sweeney na primeira vez que leu o livro? Quando Shadow andou de carrossel com os deuses, andou nos bastidores da realidade… o que a sua mente fez para dar forma a tudo isso?

É nessa estrada onírica em que o leitor caminha ao lado de Shadow. P. Craig Russell e Scott Hampton compartilham a visão deles da obra de Neil Gaiman e também convidam outros quadrinistas famosos para contribuírem na construção dos mitos e histórias que fazem parte desse mundo.

A arte da HQ alterna entre momentos entre o “real e corriqueiro” e o “fantástico, divino e surreal”. Algo que se mostra nos traços que às vezes parecem conter formas soltas, quase etéreas e em outras situações são fortes cheios de vida e, quem sabe, magia. Há também uma alternância de cores frias e quentes, entre o monótono e o fascínio do indescritível.

Para os fãs da obra original é uma ótima leitura que dá ainda mais material para a imaginação. A história é a mesma com uma visão diferente. Basta escolher no que você quer acreditar.


NOTA ★★★★★

crítica por Lucas Nobrega Lopes, exclusivamente para Versificados

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