Filmes

Crítica | Extraordinário, um filme sobre amor e respeito ao próximo

August Pullman, de 10 anos, sonha em ser astronauta e está prestes a ir pela primeira vez para a escola; um território especialmente aterrorizante para um garoto com uma desordem craniofacial congênita.

Logo antes das aulas começarem, três estudantes são chamados para apresentar a escola a ele. Dentre eles, e em especial, Jack e Julian. Enquanto Jack é o garoto que olha para Auggie e tenta sorrir da forma mais verdadeira possível, Julian não faz muita questão de mostrar o quanto Auggie (Jacob Tremblay) o tira da zona de conforto.

E demonstra isso em toda oportunidade possível, seja duvidando da sua inteligência, seja o comparando com personagens do lado negro da força de Star Wars.

Jack e Julian são opostos. Julian vem de uma família rica e tão pouco empática que, apesar de não ser o tema principal do filme, mostra um pouco como a sua personalidade foi maldada e o que pode tê-lo levado a agir dessa forma. Jack, por outro lado, vem de uma família humilde e só tem a vaga na escola garantida por causa de uma bolsa de estudos. É ele o primeiro a se mostrar verdadeiramente disposto a conversar e conhecer Auggie.

Summer aparece pouco depois, mas chama a atenção por não se importar com o que os outros pensam: ela acha que August pode ser um bom amigo, e sabe que é esse tipo de pessoa que quer ter por perto.

Filme Extraordinário

Em questão de adaptação, Extraordinário é impecável. Tudo que é relevante no livro está exposto no filme de um jeito carismático e sensível. O filme todo é permeado por essa sensibilidade — as interpretações, as falas, as expressões. Por isso mesmo achei extremamente difícil não passar o filme inteiro emocionada.

Até porque é difícil ver como Auggie se adapta à realidade. É um misto de ironia e tristeza que não nos deixa pesado, mas nos faz pensar nas nossas atitudes. O próprio menino diz que o que o faz realmente diferente não é seu rosto, é como as pessoas o veem e como agem quando ele está por perto.

Por exemplo, ele já está acostumado aos olhares curiosos que desviam e voltam; e, por isso, anda olhando para os sapatos das pessoas. Inclusive, August confirma que é possível conhecer muito do outro a partir dos seus sapatos.

O filme inicialmente segue a forma do livro de narrar a mesma história sob diferentes perspectivas, inciando pelo garoto, claro, passando pela irmã, Via, e por outras personagens, como o próprio Jack. Este, acredito, é o grande trunfo tanto de um quanto do outro: nós não temos apenas a visão do garoto, mas também das principais pessoas que o cercam.

Sabemos como Via (Izabela Vidovic, de The Fosters) é uma irmã maravilhosa, mas comotambém sente um pouco a falta dos pais, que dedicam suas vidas a tornar a de Auggie pelo menos um pouco melhor. Entendemos como, para Isabel (Julia Roberts), mãe do menino, é um desafio ficar entre a responsabilidade de apresentá-lo e prepará-lo para o mundo e o instinto fortíssimo de protegê-lo.

Filme Extraordinário

E como o pai, Nate (Owen Wilson), acaba por ser o ponto mais de humor. Inclusive, Julia Roberts e Owen Wilson tem a química na medida certa: eles se complementam como casal, como companheiros e como suporte para manter a família estruturada mesmo diante das adversidades. Foi simplesmente lindo de se ver, e minhas expectativas foram superadas em relação aos dois.

Julia Roberts por si só é um encanto de interpretação. Ela se mostra forte, carinhosa e muito capaz. Uma personagem impecável, feita por uma mulher que consegue passar exatamente as emoções que o momento pede. Nós sorrimos quando ela ri, nós nos emocionamos quando ela segura o choro e torcemos para que consiga realizar seus pequenos grandes sonhos.

Uma coisa que me chamou a atenção foi a representatividade. Eu não lembro se o livro define a cor das personagens, mas Daveed Diggs como Mr. Browne, Millie Davis como Summer e Nadji Jeter como Justin foram ótimas escolhas. Vale também falar que a participação de Sônia Braga é pequena, mas relevante e muito bem-feita. Deu vontade de ver um pouco mais da atriz no papel de avó de Auggie e Via.

A trilha sonora de Extraordinário foi particularmente interessante, com momentos de silêncio que deixam a carga dramática mais intensa. Destaca-se, é claro, a música de Bea Miller, “Brand New Eyes”, para o filme. Dá para ter um gostinho do filme no vídeo oficial da música (abaixo).

Tudo no filme contribui para mensagens de amor ao próximo e respeito. Você sai da sala de cinema leve, mas consciente (e, talvez, chorando). Entendemos como nossas ações pesam nos outros e que, no fundo, não somos tão diferentes assim.

A direção de Extraordinário ficou por conta de Stephen Chbosky, diretor e autor de As Vantagens de Ser Invisível. Talvez por isso mesmo, por já ter essa experiência com assuntos delicados, mas incríveis de ser trabalhados por serem tão humanos, o filme tenha tido esse tom tão intimista. Quem sabe assim aprendamos um pouco mais sobre empatia?


NOTA — ★★★★★ ❤

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!