Críticas,  Literatura

Resenha | Fragmentos, de Caio Fernando Abreu

Comprei Fragmentos para ter minha primeira experiência de leitura, de fato, de Caio Fernando Abreu. Seguidora fiel do twitter e tumblr criado por duas (ou dois?) fãs, lia trechos de seus textos e ficava encantada com o fato de um escritor conseguir por em palavras tão bem sentimentos, expressões e contínuas ações de forma tão inovadora. Foi a partir deste primeiro contato, e graças à Bienal do Livro, que comprei Fragmentos.

A não decepção foi incrível: uma paixão por este escritor. O livro conta com oito histórias, sendo a segunda (“Os Sapatinhos Vermelhos“) bem conhecida por vários de seus trechos: “Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina”.

Encantando em cada frase, cada motivo da personagem ao tragar um cigarro, elaborar suas ações, sair do cotidiano mesmo ao continuar nele. É com clareza e certa rapidez extraordinária que Caio elabora em poucos parágrafos histórias cotidianas inventadas, sendo então realistas, repletas de sentimentos diversificados.

Um dos contos que mais recomendo dos contidos neste livro é “Para uma Avenca Partindo“, escrito em uma única fala, deixando as entrelinhas falarem mais alto que as próprias palavras.

Deixo uma palhinha para quem gosta do escritor: “É fundamental que você escute todas as palavras, todas, e não fique tentando descobrir sentidos ocultos por trás do que estou dizendo, sem, eu reconheço que muitas vezes falei por metáforas, e que é chatíssimo falar por metáforas, pelo menos para quem ouve, e depois, você sabe, eu sempre tive essa preocupação idiota de dizer apenas coisas que não ferissem.”.

É assim: a partir de um sentimento real, de falar o que ainda não foi dito, que se inicia o conto. O desenvolvimento é contagiante, de fácil compreensão e encantador por si só, além de, claro, muito bem escrito.

Uma História de Borboletas” é o quarto conto do livro, e fala sobre a loucura. Irônico e, por isso, engraçado, ele explora a loucura dos homens em uma história simples e, em si mesma, contagiante.

Pela Passagem de uma Grande Dor” já tem seu tema mais voltado para o relacionamento entre duas pessoas, um sentimento tão certo e, por fim, tão incerto que a reviravolta acontece quando menos se espera. São nesses detalhes que Caio cria seu diferencial e faz desse livro, de fragmentos, tão bom e gostoso de se ler.

Perdão pela resenha tão pessoal, Abreu não permite abordagem diferenciada quando há tamanha identificação com seus temas ou, pelo menos, suas palavras e descrições elaboradas em torno do que se passa dentro de cada um.

Contaminada, vou cuidar de uma tal borboleta azul — ou amarela? — que abre as asas pronta para levantar voo.


NOTA ★★★★★

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