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Crítica | Jogador Nº 1: mais uma vez, Spielberg não desaponta

Baseado no primeiro livro de Ernest Cline, publicado no Brasil pela editora LeYa, o filme Jogador Nº 1, dirigido pelo renomado Steven Spielberg, conta uma história de ficção futurista, que se passa em 2045, onde a humanidade passa a maior parte do dia como avatar em um jogo criado pelo brilhante James Halliday.

Quando o criador do Oasis (um jogo de realidade virtual) morre, deixa para seus usuários uma herança típica da sua personalidade excêntrica: quem encontrar o EasterEgg escondido no vasto universo digital será premiado com o controle de todo o Oasis. Isso inclui as ações financeiras, as tomadas de decisões e, basicamente, coordenar todas as atualizações e novidades dali para frente.

Dá-se, assim, o início de uma guerra virtual pra descobrir as pistas que levem os participantes até as três chaves, para então serem considerados vendedores e dignos do prêmio. Após cinco anos de procura incansável — e a descoberta de apenas uma pista — todos parecem menos empolgados com a ideia.

Todos, exceto da IOI, uma empresa que lucra em cima da possibilidade de um dia ser a coordenadora do projeto, e conta com uma equipe completa de jovens adultos sob fortes promessas, vivendo diariamente em seus avatares para atingir o objetivo final. IOI é a segunda maior empresa do mercado, e é claro que almeja se tornar a primeira.

A dinâmica muda quando, em uma corrida, Wade Watts (Tye Sheridan) desvenda a pista e encontra a primeira chave. Seguido dele, seus amigos. E uma nova pista surge para que a segunda chave seja encontrada.

Pensando na realidade que Wade e seus amigos vivem, um mundo no qual a destruição levou todas as cidades serem chamadas de “pilhas” (provavelmente por serem um imenso amontoado de lixo e artefatos ultrapassados, como computadores). As casas são organizadas de forma a parecerem prédios improvisados de trailers, dando uma aparência deprimente à vida real das pessoas.

O cenário lembra o estilo SteamPunk misturado com uma distopia, o que nos faz pensar em como seria o mundo se tudo que sobrasse fosse a tecnologia, limitando até mesmo a interação das pessoas no dia a dia, pele com pele, face com face. E como não pensar que é exatamente esse caminho que estamos seguindo?

Dentro disso, vale ressaltar que o próprio Oasis saiu da cabeça de um homem que, desde a infância nos anos 80, foi admirador de games e da cultura pop. Isso faz com que o longa seja repleto de referências a filmes, desenhos e jogos antigos, que fizeram parte da vida da maioria dos jovens adultos de agora — e elas estão tão naturais que a surpresa vem a muito bom gosto, sem parecerem forçadas.

O roteiro muito bem-feito se complementa nos detalhes, cercando a narrativa de forma que acompanhamos a todo momento sem nos sentir cansados. É difícil conter o sentimento de nostalgia, pois os avatares, diálogos, cenas de ação são todos moldados na cultura da nossa infância ou adolescência.

Os criadores da trama conseguem manter um equilíbrio entre os dois mundos, impedindo que se torne um filme apenas sobre pessoas tentando ganhar um jogo online: há trama dentro e fora do jogo. Naturalmente, alguns clichês são presentes, mas nada que interfira no desempenho do filme. Cada personagem do elenco principal é aproveitado e tem seu próprio momento, não fazendo com que toda a glória vá apenas para o protagonista.

Mais uma vez Spielberg não decepciona, Jogador N° 1 é um filme pra todos os públicos, não é necessário entender cada menção feita para aproveitar uma boa história e se divertir.


NOTA ★★★★★

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