Revista

Ler e não ter a vergonha de ser feliz

Sou uma leitora voraz, minha paixão pelos livros e pela literatura começou desde muito cedo, com os quadrinhos da Turma da Mônica. Eu era muito pequena e não era alfabetizada ainda, mas minha mãe todos os dias sentava comigo, me colocava no colo, segurando uma xícara de café e lia para mim.

Lembro-me até hoje daqueles momentos, do cheiro dos gibis, do cheiro do café que ela tomava e sinto uma sensação gostosa de nostalgia. Esses momentos de pura intimidade entre mãe e filha, os cheiros e as sensações me fizeram associar a leitura a algo extremamente prazeroso e reconfortante.

em>“Um leitor vive mil vidas antes de morrer, o homem que nunca lê vive apenas uma.” George R. R. Martin

Os livros me acompanharam em cada fase da minha vida. Na infância falavam sobre contos de fadas e me faziam viajar para reinos cheios de magia, princesas, bruxas malvadas e príncipes que derrotavam feitiços com beijos de amor verdadeiro.

Na adolescência começaram a falar da troca de olhares entre os enamorados, dos suspiros das moças pelos seus pretendentes, do frio na barriga ao ver o garoto que você gosta. Na fase adulta começaram a falar sobre o arrepio na pele, os beijos que te deixam tonta, os toques que te fazem tremer.

Eles sempre estiveram presentes, me levando para lugares que jamais imaginei, apenas com um virar de página.

Já estive na Terra Média, Nárnia, Wonderland, Meryton, Forks, Nova Orleans, estive também no edifício Crossfire em Manhattan…

Visitei vários lugares num dia só, fui elfa, princesa, lady, vampira e às vezes até uma mulher comum, mas com o poder de seduzir o mais difícil dos homens. Vivi e tenho vivido várias vidas numa só.

A beleza de ser um leitor está nessas aventuras que acontecem na nossa imaginação, mas que podem inspirar aventuras reais.

A leitura nos conecta com algo maior, nos conecta também uns com os outros, une pessoas diferentes, mas que apresentam um gosto em comum e essas conexões são fundamentais.

É fascinante mergulhar num mundo novo, seja ele um mundo de magia ou o nosso mundo mesmo, mas com uma visão diferente, com histórias extraordinárias que nos inspiram a mudar nossas convicções, abandonar certos preconceitos e nos render à vida, como diria Clarice Lispector:

“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”

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