Revista

O bom do amor: um bicho instruído

Ah, o bom do amor… é que faz você se sentir vivo. Faz você sentir desejo, ansiedade. É mesmo diante de uma vida acinzentada, ter a expectativa de que algo novo virá, algo capaz de colorir seus dias. O bom do amor, é fazer com que você se sinta especial, se sinta diferente no meio da multidão. Seu modo de ver as coisas mudam. Não é viver por viver, é viver e haver um novo sentido para isso. O bom do amor é aquele calor inexplicável no peito quando você vê a pessoa, ou simplesmente fala com ela. É aquela prazerosa espera… por uma mensagem, ou um telefonema. É você se sentir idiota, e ainda sim se sentir incrivelmente bem.

É ter alguém para conversar, alguém que se importa com você. É a  hesitação e logo depois sentir o prazer do primeiro toque, o primeiro beijo. É a faísca no olhar. É a saudade que parece quase insuportável. É paixão também. O cheiro da roupa da pessoa, o perfume no pescoço dela. Andar de mãos dadas, o primeiro fim de semana e um cinema maroto. A cama. A vontade. Um sorriso que faz seu coração esquentar. O toque. Todo o clima ao ouvir uma música romântica e ter em quem pensar. O amor faz tudo isso.

Mas o melhor do amor é que mesmo quando ele chega ao fim, quando você sofre como se esse momento fosse ser interminável. O melhor mesmo é que o tempo passa. Tudo passa. E virá outro amor, outros amores, que farão você querer viver tudo isso de novo… e de novo.

AMOR É BICHO INSTRUÍDO

Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore.
em tempo de se estrepar.

Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.

Essa ferida, meu bem
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.

Carlos Drummond Andrade

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