Críticas,  Literatura

Resenha | O Lado Bom da Vida, de Matthew Quick

Pat viveu quatro anos em uma clínica. Ainda não era aconselhado sua saída, todavia a decisão da mãe em traze-lo de volta para casa empolgou o homem que contava os minutos para o tempo passar e ele e sua Nikki voltassem a ficar juntos.

Ainda que sua relação com o pai seja estranha, sua volta para casa o motiva a controlar melhor seus acessos de raiva – sempre descontados em exercícios físicos – e agir com gentileza em vez de com razão. Seu objetivo maior, que o guia, é sempre sua (ex)mulher, Nikki.

Todas começam com encrencas, mas logo você assume seus problemas e se torna uma pessoa melhor, trabalhando duro, que é o que fertiliza o final feliz e permite que ele floresça; como no final de todos os filmes de Rocky, Rudy, Karate Kid […], que são meus filmes favoritos, embora eu tenha jurado me abster de filmes até a volta de Nikki, porque agora minha vida é o filme a que vou assistir e, bem, sempre está passando.
— página 18

Aos poucos, Pat volta a ter uma vida mais normal. Seu psicólogo, Cliff, é um dos melhores e acaba se tornando um bom amigo, quando fora da sessão. Jack, seu irmão, não mede esforços para fazê-lo se sentir mais a vontade, e sequer esconde seu carinho por ele.

Seus outros grandes amigos (um dos quais ele conheceu no “lugar ruim”, onde achava que tinha ficado apenas por alguns meses) tentam fazer com que seus dias sejam melhores. É assim que Pat conhece Tiffany, uma mulher que perdeu o marido e, mesmo sem falar muito, é a única que realmente o compreende.

Seguindo o filme que sua vida é enxergada por ele próprio, Pat descobre muito mais sobre o lado bom da vida que sequer podia imaginar. É em meio a um sentimento, construído ao longo da narrativa, que conhecemos a personagem principal.

Com depressão, ele precisa encarar as situações mais chatas para conseguir ver o lado bom das coisas – que, ele sabe, sempre há. Matthew nos apresenta, então, uma história de amor, redescoberta interior e superação.

É estranho ouvi-la dizer aquilo, tão distante do “eu amo você” de uma mulher comum e, no entanto, provavelmente mais verdadeiro. […] Eu ainda tenho uma mulher em meus braços que sofreu muito […], uma mulher que sabe todos os meus segredos, uma mulher que sabe quão problemática é minha mente, quantos comprimidos eu tomo, e ainda assim permite que eu a abrace. Há algo de honesto nisso.
— página 154

Suas táticas de narrativa tornam o livro impossível de largar. Em um mesmo texto, encontramos narrativa em primeira pessoa, cartas que foram escritas e até mesmo uma espécie de momentos que o levaram a se superar na dança que acaba sendo obrigado a apresentar.

É na loucura do outro, na loucura da mulher um pouco mais velha chamada Tiffany, que Pat – e todos nós – pode repensar as situações pelas quais passamos, os pesos que temos que carregar ao longo da vida.

Sempre pensando que existe sim um lado bom, basta querer vê-lo. Pat conseguiu se desenvolver a partir do que acabou tendo que viver, mas nós conseguiríamos?


NOTA ★★★★★

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