Críticas,  Literatura

Resenha | O livro das listas, de Renato Russo

Se você, como eu, está pensando neste livro como uma quase biografia voltada para toda a parte criativa de Renato Russo, bem, esteja avisado que essa não é a proposta do livro e, exatamente por isso, não é algo que ele cumpre.

Dito isso, O livro das listas é um excelente livro… de listas. Desenvolvido a partir de cadernos do compositor e músico, ele reúne top 10 de músicas, filmes, atrizes e atores — e até séries — que, naturalmente, inspiraram a obra que tornaria a banda Legião Urbana tão (re)conhecida.

O problema é que ele não vai além do superficial. Se Ramones fez parte da construção punk rock que levou Renato Russo a criar músicas que seguissem a mesma linha ideológica, bom, é só isso. Literalmente não temos mais nenhuma informação a respeito, encerra-se o assunto em um ponto e nos faz pensar: tá, mas pode falar mais sobre o assunto, por favor?

Essas coisas de fazer sucesso em cima do que você acredita e sente e ter as pessoas querendo mais e mais, é complicado.

Com comentários de Sofia Mariutti e Tarso de Melo, caminhamos por toda parte cultural das décadas de 70, 80 e 90. Lemos constantemente sobre … E o vento levou, The Beatles, The Rolling Stones, Hair e Carrie, A Estranha sem entendermos o quanto qualquer um desses realmente significava para o autor, ainda que tudo isso possa ser suposto a partir da quantidade de vezes que eles são citados.

Livro O livro das listas, de Renato Russo

Não há, portanto, grandes ponderações a respeito das referências musicais, culturais e sentimentais — e o máximo que vemos de Russo aparece nos poucos quotes de entrevistas que foram dadas ao longo da sua vida. Às vezes, também aparecem em comentários soltos escritos a respeito de filmes. Ironicamente, neste pouco a que temos acesso, por vezes a imagem que fica é de um Renato um pouco mesquinho e elitista, que, quando se permite ir um pouco além do clássico, julga.

Outras, temos acesso a um homem bem mais sentimental e de carne e osso, que nos dá permissão de nos aproximar um pouco e compartilhar como encaramos a vida. Soa um pouco como um pedido (ou desejo) de sermos melhores.

O que ele ouvia? De que forma isso influenciou a música que ele próprio veio a criar? Quais os filmes o interessavam? O que eles tinham de especial? Quais atores e atrizes mereceram um espaço em seus prêmios inventados? Essas são perguntas cujas respostas você encontra em O livro das listas.

E, se você não espera ir muito além disso, ele é ideal para você. Ao permitir que o leitor conheça um pouquinho de muitas coisas, mas sem formar uma imagem completa, este livro pode ser o que você precisa para, posteriormente, procurar mais sobre um contexto cultural e, claro, sobre Renato Russo. Infelizmente, não vai muito além disso.

Para quem se interessa pela carreira de Renato Russo, fica a dica da exposição que está rolando no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, com curadoria de André Sturm e apresentação de Samsung Conecta e Ministério da Cultura.

A exposição acontece até dia 28 de janeiro de 2018. Os ingressos ficam disponíveis na bilheteria do MIS: R$12 (inteira) e R$6 (meia). Às terças-feiras, a entrada é gratuita.

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