Música

Oh Wonder no Circo Voador foi o alto astral necessário para continuar a semana

Nem sei direito como conheci Oh Wonder. Sei que um dia não fazia ideia de quem eram e, no outro, ouvia repetidamente seus dois álbuns. A dupla é classificada como alt-pop — pop alternativo — e suas músicas são uma junção de ritmo, vozes calmas e significado.

O show foi realizado junto ao da cantora Zara Larsson — cujo nome pode parecer estranho, mas cujas algumas músicas você com certeza já ouviu falar, como Ain’t My Fault — no Circo Voador, Rio de Janeiro, na última terça-feira. Foi um sucesso.

“Make a spark, break the dark, find a light with me
Who we are from the start, won’t you dance with me?
Make a spark, break the dark, gind a light with me
Who we are chasing stars, won’t you dance with me?”

Sendo uma dupla ainda pouco conhecida e levando em consideração a pouca divulgação do show, o espaço não estava lotado; o que não impediu os fãs de cantarem junto e de tanto Josephine Vander Gucht quanto Anthony West se empolgarem durante as músicas.

A setlist contou com 13 músicas, sendo duas delas (Ultralife e Drive) parte do bis. Os maiores sucessos foram cantados: Lose it, com seu ritmo animado e totalmente good vibe; All We Do, que nos estimula a ser nós mesmos em vez de seguir o que os outros consideram certo e melhor para nós; e Livewire, romântica até a última gota.

Oh Wonder no Circo Voador

“So hold me when I fall away from the lines
When I’m losing it all, when I’m wasting the light
And hold me when I put my my heart in your hands”

Enquanto Larsson foi uma metralhadora (animadíssima e incrível) de músicas, Oh Wonder teve a preocupação de parar e conversar com o público o tempo todo. Às vezes era como se estivéssemos conversando sobre alguns assuntos referentes às músicas, tão por dentro do que estava sendo contado que fazíamos parte daquele momento, daquelas letras, daquele ritmo.

E cantamos, de corpo e alma sobre amores perdidos e amores próprios. Sobre sermos nós mesmos e sobre as expectativas dos outros. Cantamos sobre as pessoas que amamos e queremos bem, pessoas que nos fazem sentir inteiros da cabeça aos pés, que nos fazem sentir importantes.

“Count stacks of the routine lies
Funny how easy you could see my blindside
Still the same songs with the same old beats
Sure I could stay but there’s a place I’d rather be”

E Oh Wonder fez isso. Fez com que nos sentíssemos importantes, como se aquele show, com aquele grupo pequeno de pessoas, tivesse um significado maior, como se fôssemos um grupo de conhecidos tornando-nos um pouquinho mais inteiros, cada um em seu canto, porém juntos.

Oh Wonder no Circo Voador

Lembro de falarem sobre como os fãs de Zara Larsson estavam planejando vaiar e minimizar Oh Wonder. São, afinal de contas, estilos musicais bem diferentes, shows bem diferentes e, eu imaginava, públicos bem diferentes.

Mas não teve jeito: o plano foi por água abaixo no momento que o duo entrou no palco, ambos com sorrisos imensos no rosto, demonstrando verdadeiro prazer por estar ali e extremamente empolgados com a caipirinha na praia às 10 horas da manhã e com aquele público à noite.

Vale destacar também a performance de Heavy (“and I could hold you endlessly / ultralife just you and me”), Lifetimes (“’cause I found love in you / I’ll walk the world for you / seconds, minutes, hours, lifetimes”) e Technicolour Beat (“and I feel life for the very first time / love in my arms and the sun in my eyes / I feel safe in the 5am light”) — inesquecíveis, importantes, impactantes.

Se valeu a pena? Cada segundo.

Carioca apaixonada por marketing na casa dos 20 e tantos com uma grande incapacidade de ficar parada e uma vontade louca de conhecer o mundo.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.