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Crítica | Operação Red Sparrow: suspense de espionagem que coloca a inteligência emocional em pauta

“Todo ser humano é um quebra-cabeça de carência. Se você virar a peça que falta ele lhe contará qualquer coisa.”

Operação Red Sparrow é um filme de espionagem até para os que não gostam ou não tem costume de assistir ao gênero, pois se a trama não conseguir te prender, com certeza a personagem de Jennifer Lawrence cumprirá esse papel.

Na pele da ex bailarina russa, Dominika Egorova, Jlaw interpreta uma mulher que é forçada a mudar completamente de vida após um “acidente” durante sua apresentação de ballet.

Com uma mãe doente e dependente dela em casa e sem condições de se manterem financeiramente, ela é obrigada a aceitar a proposta oferecida por seu tio de ser usada como isca para atrair um inimigo do estado. Sem poder se defender, é estuprada e violentada pelo homem numa das cenas mais fortes do filme.

Diante disso, se já não bastasse a humilhação a que foi submetida, a única solução que lhe resta para resolver seus problemas é ingressar num serviço secreto de espionagem do governo russo, que tem como objetivo transformá-la numa sparrow, ou seja, uma sedutora treinada para manipular e tirar informações daqueles que a Rússia lhe ordenar.

Ser uma sparrow não significa apenas usar o sexo como arma. Ser uma sparrow vai muito além disso. É saber usar a inteligência, principalmente a emocional, para entender como funciona a mente do outro e qual a maneira certa de agir com cada pessoa. Ser uma sparrow é acima de tudo ser esperta o suficiente para conseguir enxergar o que a outra pessoa precisa e lhe oferecer exatamente isso em troca do que deseja.

Tendo isso em vista, é claro que dá pra perceber que não é um “emprego” muito fácil e nem pra qualquer pessoa. Pra se tornar uma sparrow qualificada são necessários vários treinamentos específicos que só a “escola” de sparrows é capaz de ensinar com eficácia.

Nesse treinamento os espiões são obrigados a perder a vergonha da exposição e aceitar que seus corpos não lhe pertencem, mas sim ao estado. Este pensa, que por ser responsável pelo sustento e sobrevivência de sua população, então, tem o direito de mandar em todas as escolhas destes.

Ninguém é realmente dono de si, pois o estado que os comanda. E caso alguém tente se impor contra isso, é eliminado sem escapatória por esse ato de rebeldia.

Dominika se descobre uma excelente profissional sparrow com habilidades que nem ela própria imaginava. Contudo, tem um grande defeito que pode mudar todo seu destino; ela não é uma espiã qualquer, pois é especialista em manipulação, mas não se permite ser manipulada e mais do que tudo, não adere ao sistema como os outros.

Operação Red Sparrow

Tem personalidade e pensamento próprio e não aceita ser subjugada por completo. Sua liberdade está acima de qualquer oferta de riqueza que o governo pode lhe proporcionar.

E além de tudo isso; ela não é capaz de perder sua empatia como os outros. Só é uma sparrow de verdade aqueles que conseguem perder totalmente sua capacidade de se importar com os outros; característica que a protagonista nunca terá independente das circunstâncias que enfrenta.

Só conclui o treinamento de fato quem se transforma naquilo que o governo russo mais quer; um patriota extremamente submisso às ordens do estado sem um pingo de amor pelos outros e sequer por si mesmo, disposto a tudo para proteger sua nação mesmo que isso signifique torturar um dos seus. Isto é, alguém que coloque sua nação acima de sua própria vida.

O filme segue muito mais a linha do suspense do que da ação, com foco nos diálogos e nas conspirações entre americanos e russos do que em explosões, tiroteios e outros elementos do tipo que são comuns no gênero da espionagem. Fator que considero um dos pontos altos do longa.

Também tem a parte romântica da história, que envolve o agente da CIA, Nate Nash, interpretado pelo Joel Edgerton. Dominika recebe a missão de se aproximar dele a fim de descobrir a identidade de um informante infiltrado no alto escalão do governo.

Apesar da aproximação entre os dois e do fato disso ter motivado ainda mais a personagem de Jlaw a não se deixar dominar inteiramente pelo governo, a relação deles não transforma Operação Red Sparrow em um filme sobre um encontro amoroso. O objetivo desde o início não é esse e termina continuando a não ser.

Se você quer assistir um filme de espionagem com uma faceta um pouco mais psicológica, com um final surpreendente e não tem problema com cenas fortes de violência —que foram muito bem feitas, por sinal— pode ver tranquilo, porque esse filme é pra você.

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