Críticas,  Literatura

Resenha | Poesias Reunidas, de Oswald de Andrade

Falar de Oswald de Andrade é, naturalmente, falar de modernismo. E falar de modernismo é lembrar da Semana de Arte Moderna, ocorrida em fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo; um marco pela busca de uma identidade realmente brasileira, que de fato representasse nosso povo e que, claro, se distanciasse dos moldes europeus que até então traçavam parte de nossas produções.

Como bem se sabe, o Modernismo não foi bem aceito pelos críticos, que abraçavam, na época, o Parnasianismo. Ao contrário do que pode parecer, a Semana de Arte Moderna não foi amplamente repercutida e seu peso veio através do tempo e da história, principalmente por causa da união de diversos artistas cujo objetivo em comum era quebrar com a arte tradicional.

Oswald de Andrade foi um dos principais nomes na literatura modernista, com o movimento Pau-Brasil, parte da primeira fase, que ficava encarregado de criticar o passado histórico, valorizando a identidade nacional. Com isso, é impossível não abordar sua originalidade e o óbvio abandono do academicismo.

Poesias Reunidas, de Oswald de Andrade

É com esse movimento que Poesias Reunidas começa. É aqui que encontramos, logo de cara, escapulário, que representa muito bem a linguagem enxuta, os versos livres e os poemas-pílulas.

No Pão de Açúcar
De Cada Dia
Dai-nos Senhor
A Poesia
De Cada Dia.

E como não citar Canto de regresso à pátria? A paródia do texto de Gonçalves Dias mostra que o romantismo só tem espaço no passado, e o que se explora com sucesso é uma realidade social que foge da idealização.

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores

Poesias Reunidas, entretanto, não é uma réplica de Pau-Brasil. Com adequações justificadas pela coordenação editorial — apenas alguns prováveis erros de ortografia e um ou outro parágrafo a mais (ou a menos) — o livro une toda a arte poética de Andrade, dividindo-as entre o Primeiro Caderno do Aluno de Poesia Oswald de Andrade, Poemas Menores, Poemas Dispersos e, ainda, poemas inéditos.

Ao final, encontramos textos de Carlos Drummond de Andrade, Mário da Silva Brito e, por fim Haroldo de Campos. Este é, sem dúvida, um ótimo livro para conhecer o trabalho do autor e pode facilmente servir de pauta básica para estudos de texto do mesmo.

Completo, bem diagramado, que segue uma ordem cronológica capaz de fazer com que o leitor não se perca em meio às poesias; este livro é, sem dúvida, leitura obrigatória.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!