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Pole dance também é liberdade

Ao pensar em pole dance as primeiras imagens que surgem na cabeça da maioria das pessoas são: dança de boate e strippers. E essas imagens foram reforçadas ao longo dos anos por filmes hollywoodianos, novelas e clipes musicais. Afinal, quem é que não lembra da Demi Moore dançando em Striptease? Ou, no caso do Brasil, quem é que não ficou sabendo que a atriz Flavia Alessandra estava fazendo pole dance na novela em 2007?

Sendo assim, é difícil separar o pole como uma atividade física e o pole como uma dança sensual de boate. Isso passou a incomodar os praticantes de pole dance que queriam que a modalidade fosse vista como um exercício físico como qualquer outro e, por esse motivo, foi surgindo um movimento que passou a dividir a pratica de pole em duas principais vertentes: pole fitness/sport e pole sensual/exotic.

Mas o que não podemos negar é que a principal referência do pole dance é a dança que era praticada por essas mulheres dentro dessas boates voltadas para o público masculino. E afirmar isso não denigre em nada a imagem de quem pratica o pole dance como atividade física, visto que inúmeros motivos podem levar uma pessoa a procurar esse tipo de atividade.

Na minha experiência como professora, o que mais vejo são pessoas que não tem paciência para academia, mas querem fazer algum exercício; tem casos também de pessoas que buscam fortalecimento muscular, flexibilidade, encarar desafios, melhorar a autoestima e dançar de forma sensual sim, porque tudo é possível!

Através da dança o ser humano dá voz ao corpo, expressa seu estado de espirito e coloca seus sentimentos para fora. E no pole dance isso não é diferente. Os adeptos do pole como forma de dança e arte, usam o corpo para contar uma história a partir de movimentos e acrobacias usando uma barra vertical.

Meu fascínio com o pole dance veio a partir do contato que eu tive com um vídeo na Internet. A pole dancer parecia flutuar no ar, e o que mais me encantou foi a leveza dos seus movimentos, e como tudo isso se juntava a uma música e ao jeito como ela se expressava; a forma como ela usou suas linhas corporais para deixar seus sentimentos falarem, e eu consegui ouvir tudo o que ela estava querendo dizer.

Entretanto, o que eu não poderia imaginar era que por trás de tanta beleza e suavidade existia também um lado de muito esforço, treinos, lesões, dedicação, paciência, persistência e dor.

É preciso ter técnica, treinar o corpo para desenvolver o preparo físico necessário. Alguns movimentos exigem bastante força e flexibilidade, que demandam horas de dedicação e treino para realizar uma determinada acrobacia. Além disso, o praticante de pole dance corre o risco de lesões, que podem surgir devido a algum excesso ou também por quedas (em alguns casos as barras atingem mais de 4 metros de altura).

As mãos transpiram muito, e isso atrapalha a aderência no pole, e o contato da barra com a pele causa desconforto e dor em determinadas acrobacias. Mas isso tudo fica escondido atrás de expressões delicadas e suaves, como se nenhum esforço estivesse sendo empregado, como se nenhuma dificuldade estivesse presente naquele momento.

Infelizmente nem todos conseguem enxergar os bastidores por trás de uma performance de pole dance. Ainda mais se for uma exibição de pole sensual, onde a pole dancer usa salto alto. Sempre ouço os mesmos tipos de comentários, que tentam difamar a imagem dos praticantes dessa modalidade, como se uma dança que envolve jogadas de cabelo e salto alto não merecesse ser denominada arte.

Afinal o que seria arte? Ao criar uma apresentação, o pole dancer colocou à prova o seu talento, a sua habilidade, o seu processo criativo, sua dedicação e seu esforço. E isso é a mais pura definição de arte.

Mais do que arte, para mim, o pole dance representa também a liberdade. É não se limitar a julgamentos. É ser livre para deixar seu corpo se expressar da forma que quiser. É ter autonomia para dançar do jeito que mais te agrada. É poder colocar um salto alto ou ter os pés no chão. É querer ser sensual e contemporâneo. É ter a liberdade de montar uma coreografia com música clássica ou com funk.

O pole dance nasceu para ser livre. Nasceu para ser arte. Então mudem seus olhares, abram espaço para essa nova forma de expressão do corpo e da alma.

POR VANESSA WYLDE
instrutura de pole dance na PoleCat, exclusivamente para Versificados

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