Saúde Mental

Por um mundo mais dramático!

“Não sinto essas coisas, não tenho sentimentos, não tenho apego nem paixões e principalmente, NÃO SUPORTO DRAMAS.”

Sempre que escuto alguém dizer frases desse tipo, me vem uma sensação ruim, um desespero e um vazio enorme, como se naquele instante não houvesse mais motivo pra continuar vivo. Não adianta nem mais tentar argumentar ou justificar seus atos, porque tudo seria em vão.

Afinal, como fazer com que uma pessoa que não tem sentimentos te entenda, se (e isso serve para qualquer coisa) para entender o que é dito, antes é preciso que se sinta o que é dito. Como explicar algo pra quem se diz incapaz de sentir no fundo da alma a explicação?

Por essas e outras, que essa frase tem o poder de travar o ouvinte de tal forma que todas as palavras prontas pra ganhar vida se calem, transformando-se em apenas uma desesperança silenciosa… oca. A única esperança que ainda nos resta é ter fé que assim como num episódio de Lost, logo logo, surgirá um flashback justificando os motivos que fizeram essas pessoas virarem homens e mulheres de latas.

É como se nosso inconsciente dissesse “Fica tranquila, ninguém é assim. As pessoas FICAM assim.” Só que, infelizmente, a vida não é um episódio de Lost. Às vezes, as pessoas são realmente aquilo que dizem ser, pois cada um é o que é. E mesmo que tenha um flashback por trás de tudo, nunca teremos acesso a essa cena do roteiro.

Se a coisa do Stephen King se transformasse no meu maior medo, com certeza se materializaria numa pessoa fria, seca, prática… Racional. Não tem nada que me cause mais espanto do que isso. Raiva? ódio? Agressividade? Tudo isso pode ser tolerável quando lembramos que também são sentimentos. Mas como lidar com a praticidade excessiva?

Quem já teve algo parecido com depressão, sabe que não existe nada pior do que perder sua “dramaticidade” natural; sua capacidade de sentir ao extremo e fantasiar intensamente. Arrisco dizer que o maior medo de quem tem depressão, ao sentir os primeiros sinais da apatia chegando, é se transformar exatamente naquilo que mais teme; numa pessoa completamente objetiva e avessa à “dramas”. É de perder o sono!

Acredito que o que nos atrai pro mundo dos livros, séries, filmes, música, arte em geral, é justamente o sentimento que estas nos causam. Existe sensação melhor pra fãs de cultura pop do se envolver emocionalmente com a ficção e fazer das dores de seres fictícios a sua própria dor?

Quanto maior o drama, maior a complexidade da história e dos personagens que a compõem. E quanto mais problemático e talvez “infantil”, mais profundo e cheio de camadas a serem reveladas é.

Por um mundo com mais “drama” e intensidade, no qual as pessoas tenham mundos internos tão gigantes a ponto de caber nuvens laranjas com gotas de chocolate (e calda de nutela, se preferível)! Afinal de contas, se não pudermos explorar nossa sensibilidade aflorada, então, qual o motivo pra continuarmos respirando?

Estudante de Letras metida a astróloga graças (ou não) ao seu escorpião com ascendente em peixes e lua em aquário. Viciada em séries a ponto de se recusar a aceitar a "morte" de Lost até hoje. Precisa de injeções diárias de realidade pra não ser abduzida pela Terra do Nunca.

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