Literatura e História

Quando a Ditadura Proibiu o Carnaval dos Hermanos

É praticamente impossível imaginar o Brasil sem Carnaval. Embora nem todos apreciem esta “manifestação cultural”, que surgiu na Grécia antiga, ao menos os feriados e os dias de descanso são bem vindos pela imensa maioria.

No entanto, nossos hermanos argentinos ficaram um longo tempo sem carnaval e passaram novamente a comemorar-lo apenas em 2011. Explicando melhor: durante a ditadura militar argentina ocorrida entre 1976 e 1983, houve o banimento oficial do carnaval a partir de 1977, ao eliminar o feriado de Momo.

A grande preocupação do regime naquele período, quando o ditador e general Jorge Rafael Videla estava à frente do país, era de que os guerrilheiros de esquerda aproveitassem a festa para se esconder atrás das fantasias, facilitando a execução de atentados. Além disso, proibiu manifestações, blocos carnavalescos e reuniões públicas destinadas a esse tipo de festejo.

Colegas ditadores: o chileno Augusto Pinochet (ao fundo) e o argentino Jorge R. Videla (em primeiro plano)

A ditadura proibiu o carnaval na Argentina, mas antes disso a festa já havia sido interrompida. A morte de Evita Perón em 1952 culminou com a interrupção das festividades por três anos, quando o governo peronista decidiu suspender o carnaval de 1953 e dos dois anos seguintes. Entretanto, não se pode despejar toda a culpa pela falta do carnaval argentino sobre os ditadores.

No ano de 1955, quando o golpe militar derrubou o então presidente Perón, restaurou-se em fevereiro de 1956 o feriado, para apagar a lembrança de Evita e poder que ela carregava como “mãe dos pobres e trabalhadores”.

Desde proibição em 1977, os argentinos ficaram oficialmente sem carnaval por 34 anos, até que a presidente Cristina Kirchner decretou em 2011 a reimplantação do feriado de carnaval, embora nos últimos 10 anos as manifestações tenham retornado aos poucos.

Já novamente estruturadas, as festividades na argentina são marcadas pelos blocos carnavalescos nos bairros, denominados “murgas”. Hoje são mais de 200 no país. Mas o grande destaque é o carnaval em Gualeguaychú, muito próximo ao estilo brasileiro de desfiles de escolas de samba, o evento é realizado num “Corsódromo”.

Para quem curte uma opção mais voltada para a cultura argentina, vale a pena ver também o carnaval da região indígena no norte do país, na região da Puna, na fronteira com a Bolívia. Segundo Ariel Palacios, correspondente do jornal O Estadão e que escreveu um especial de carnaval em seu blog para o jornal, “os o centro da festa é o Pujillay”, isto é, o “diabo carnavalesco”, personagem da mitologia local, derivada dos incas.

Sepultado desde o final do carnaval do ano anterior, o diabo é desenterrado, dando início às festas, com músicas indígenas e coloridos desfiles pelos vilarejos da região. Nestas festas os participantes mascam folhas de coca e ingerem bebidas feitas com essa planta.”

Agora, finalmente, os “hermanos” podem comemorar o carnaval!

28 anos, professor universitário e historiador. Apaixonado por futebol, comida, viajar e rock 'and' roll.

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