Revista

Quando aprendi a recomeçar…

Entendi que recomeço não significa apagar o passado, mas fazer das suas experiências de vida dos seus erros e das suas lições, motivação para mudar o seu presente. Quando aprendi a recomeçar, entendi que um caminho novo pode despertar o medo…

Medo de tudo aquilo que é desconhecido. Quando aprendi a recomeçar, percebi que todo recomeço implica em riscos, logo podemos errar. Mesmo recomeçando, podemos inclusive cometer os mesmos erros. Quando aprendi a recomeçar, entendi que é necessário força, e que essa força vêm de dentro de nós mesmos.

Quando aprendi a recomeçar, entendi que algumas coisas ficam para trás, inclusive pessoas e isso é inevitável.

Quando aprendi a recomeçar, pude compreender que em cada parte do meu passado, fui me desfazendo de uma versão de mim mesma, e isso significa amadurecer.

Quando aprendi a recomeçar, senti dor, senti saudades de momentos que se foram e que não voltam jamais, mas ao mesmo tempo tive esperança, esperança dos bons momentos que estão por vir, dos próximos amores possíveis que posso encontrar em meu novo caminho.

Quando aprendi a recomeçar, refleti sobre como cada fracasso, cada frustação, cada decepção fez parte da minha história, e que nada disso é motivo de vergonha. Quando aprendi a recomeçar, vi que dia após dia, tudo é recomeço, e isso significa viver a vida.

“A impressão que eu tenho é de não ter envelhecido, embora eu esteja instalada na velhice. O tempo é irrealizável. Provisoriamente, o tempo parou para mim. Provisoriamente. Mas eu não ignoro as ameaças que o futuro encerra como também não ignoro que é o meu passado que define a minha abertura para o futuro.

O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar. Portanto, ao meu passado eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minhas necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo. Que espaço o meu passado deixa para a minha liberdade hoje?

Não sou escrava dele. O que eu sempre quis foi comunicar da maneira mais direta o sabor da minha vida. Unicamente, o sabor da minha vida. Acho que eu consegui fazê-lo. Vivi num mundo de homens guardando em mim o melhor da minha feminilidade. Não desejei nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos.” (Simone de Beauvoir)

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