Críticas,  Literatura

Resenha | Dearly, Departed, de Lia Habel

Começo a resenha de Dearly, Departed dando um aviso: se você gosta de história de zumbis, mas não se conforma com possíveis adaptações para que se torne viável um livro romântico no qual uma das pessoas do casal (ou ambas) sejam zumbis, esse livro certamente não é para você. Dito isso, posso falar sobre romance que me conquistou primeiramente pela capa, depois pela sinopse e, finalmente, pela história.

Nora Dearly tem apenas dezesseis anos apesar de já ter vivido muito. Não foi fácil perder a mãe aos nove e muito menos estar ao lado do pai enquanto ele morria de uma doença cujas informações eram extremamente limitadas.

Um ano e um dia após a morte dele, ela tem ‘permissão da sociedade’ para não usar mais preto e suas preocupações agora devem ser com o debut, quando será apresentada à sociedade. Todavia, mesmo após o que sua tia considera muito tempo, ela não superou a morte dele: não quer deixar de usar preto, não deixou de chorar pela saudade.

Pamela, sua melhor amiga, está preocupada com ela. E talvez Pam pudesse suspirar um pouco de alívio se uma situação não fizesse com que Nora desaparecesse do mapa – pelo menos para toda sociedade com a qual vivia.

Agora ela encontra Bram, que além de punk (e fofo, amável, somado a todos os elogios possíveis) está… morto. Nora se depara com uma realidade que sequer imaginou existir e, pior, uma realidade tão assustadora que desafia sua sanidade e seu conceito de normalidade.

Lia Habel tem uma escrita simplesmente incrível, que me fez ler Dearly, Departed em apenas dois dias e colocá-lo imediatamente na lista dos favoritos. Ela conseguiu criar um livro que junta thriller – já que nem todos os zumbis são romanceados, claro -, comédia e romance em doses perfeitas e sem exagero.

Nora é, em si mesma, uma personagem contraditória: baixinha, voz e rosto infantis que criariam a perfeita personagem inocente e que precisa de proteção, o que ela definitivamente não é e nem precisa. Não é meloso, nem chato.

O que Lia faz com Nora, como personagem, é praticamente o que ela faz com todas as outras do livro. Bram é outro exemplo. Ele poderia ser perfeito, mas é um zumbi, então não pode ser exatamente lindo, além de mancar. Fora que o cenário de anos a frente que o nosso aliado à uma realidade de séculos atrás cria uma nova cidade totalmente inovadora em muitos aspectos.

Com toda sinceridade, o livro me deixou de boca aberta e batendo palmas para a autora. Inovador, original, romântico, engraçado / irônico e, do ponto de vista de escrita literário, com uma escrita excelente.

Claro que fui imediatamente perguntar à autora algumas informações e ela afirmou que pensa em escrever cinco livros, no total – o segundo, Dearly, Beloved está sendo lançado hoje nos Estados Unidos.

Quanto a um final feliz para o romance, ela não falou muito, deixou apenas claro que “infelizmente zumbis não são imortais, o que não significa que não possam viver vidas extraordinárias”.


resenha escrita originalmente em 2012

Nota ★★★★

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