Críticas,  Literatura

Resenha | Ligeiramente Casados, de Mary Balogh

Quando o coronel Aidan Bedwin encontra o capitão Percival Morris, homem que salvou sua vida alguns anos antes, à beira da morte em campo de batalha, ele é capaz de lhe prometer qualquer coisa como honraria por seu heroísmo.

O pedido do homem nada mais é do que a proteção de Aidan com relação à sua irmã mais nova, “Custe o que custar!” e o coronel, sendo um homem de extrema honra, promete dar à mulher o que for necessário para mantê-la segura.

Quando enfim conhece Eve Morris, depara-se com uma jovem caridosa que possui uma propriedade próspera e diversos acolhidos no Solar Ringwood. Mas ao oferecer seus serviços em razão da promessa feita, Aidan surpreende-se ao constatar que Eve não precisa de nada – e ter este fato confirmado pela própria Eve.

Mas é pouco antes de partir rumo a sua casa que o coronel descobre que a moça está, na verdade, prestes a perder toda a sua fortuna devido a uma cláusula do testamento de seu pai, que determinava que a propriedade só poderia ser herdada por Eve caso a moça tenha se casado dentro de um ano após o falecimento de seu pai; caso contrário, toda a sua fortuna será automaticamente passada ao seu odioso primo. Honrando, então, sua promessa, Aidan propõe à moça um casamento de conveniência.

Meu primeiro contato com o trabalho de Mary Balogh foi também a leitura do primeiro volume da série de romance de época Os Bedwins. O livro, narrado em terceira pessoa, apresenta tanto os fatos pelo ponto de vista de Aidan quanto de Eve, permitindo que os leitores possam conhecer e se aproximar de cada um deles e o leitor logo percebe o contraste entre ambos: uma mulher extremamente caridosa e um homem marcado pelas cicatrizes da batalha.

Mas não são os opostos que atraem o leitor para a história – ou, ao menos, não somente. A autora possui muita sutileza em sua narrativa e apresenta todos os fatos de maneira a deixar o leitor ansiando pelas próximas páginas, ainda que eles tenham sido bastante previsíveis para mim.

Ligeiramente Casados é, de fato, um livro muito clichê, se observado estritamente dentro dos livros do gênero. Porém, a forma como Mary conduz a história e desenvolve seus personagens é de extremo encanto – me vi, literalmente, apaixonada por ambos, mesmo com a relutância em verem o que estava sob seus narizes.

Confesso que esperava algo mais ousado da obra, mas todo o enredo – seu início, meio e fim – me satisfizeram, ainda que as previsibilidades da história tenham me desapontado um bocado.

Ligeiramente Casados é um livro estilo comédia romântica de Sessão da Tarde, que com certeza fará o leitor ter gostosos momentos no deleite da leitura. Mas alerto, contudo, que é possível que os não afeiçoados aos romances e romances de época podem não ter suas expectativas surpreendidas.


NOTA ★★★

crítica por Reniére Pimentel, exclusivamente para Versificados

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