Literatura

Resenha | Moletom, de Julio Azevedo

Quando Pedro se vê cara a cara diante com a realidade a respeito de sua sexualidade, foge dos problemas com os pais indo para a casa de uma tia. É o tempo que precisa para pensar, relaxar, respeitar o próprio tempo e se entender melhor.

Jovem escritor, logo nos primeiros dias em sua nova casa encontra um café. Lá, conhece um garçom simpático chamado Lucas. Desnorteado e preocupado com a hora, Pedro volta para casa sem seus rascunhos. É assim que o destino dos dois se cruza mais vezes, e a natural aproximação acaba em, claro, romance.

Moletom me parecia ser um livro com uma história toda contada em quadrinhos, porém não é isso que encontramos. Com uma narrativa simples, o romance se mistura com poucas artes neste estilo, que complementam, mas não são o foco, da história.

O problema é que, enquanto os quadrinhos de Julio Azevedo são de fato uma coisa especial, o romance, não. A escrita ainda jovem, de um bom leitor sem experiência literária aplicada à própria realidade, prejudicou o andamento da minha leitura.

Moletom não contém uma série de problemas, e todo o potencial de Julio Azevedo para romances está em cada página. Faltou mesmo experiência e verossimilhança. Faltou naturalidade, como quando a prima de Pedro o encontra quando ele está saindo de casa, dá uma justificativa meia-boca por estar ali e para em frente ao espelho para passar batom e tirar uma selfie.

O enredo clichê se mistura a uma história que poderia ter aprofundado muito mais as personagens. Os diálogos fracos são permeados por desenhos com frases simples e extremamente impactantes. Se este livro tem um ponto forte, de fato é a delicadeza e o sentimento contido nestes momentos entre capítulos.

Me resta esperar por uma história desenvolvida em quadrinhos – a qual tenho certeza de que gostarei -, e recomendar este para um público mais jovem e adolescente.


Nota ★★

Carioca apaixonada por marketing na casa dos 20 e tantos com uma grande incapacidade de ficar parada e uma vontade louca de conhecer o mundo.

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