Críticas,  Literatura

Resenha | Partials, de Dan Wells

A tecnologia nunca foi tão avançada e vencer guerras nunca foi tão pouco doloroso para a população. Os Partials foram criados para substituir os humanos nos campos de batalha: são mais fortes, conseguem traduzir sentimentos e passá-los sem sequer uma palavra e se curam de forma absurdamente rápida.

Os humanos, todavia, não esperavam que suas criações fossem se voltar contra eles. Uma guerra foi capaz de acabar com 99% da população mundial e um vírus conhecido como RM não permite que as crianças cresçam: três dias de vida são o máximo que conseguem viver.

O Senado exerce o controle total sob a última cidade do mundo. Tentam salvar as crianças, estabelecem leis como a da Esperança – que abaixa a idade mínima para que as mulheres sejam obrigadas a engravidar, e suportam até mesmo o ataque da Voz, uma espécie de grupo da oposição.

Kira é estagiária na maternidade, perdeu a conta de bebês que viu morrerem e não concorda que estatísticas apenas salvarão a humanidade. O que ela quer está em poucas palavras, tão impossíveis de serem ditas com a seriedade que merecem: quer encontrar a cura do RM, se tiver uma.

Dan Wells cria uma personagem com a qual a identificação é fácil. Aos dezesseis anos, Kira acumula inúmeras responsabilidades. Ela não quer ter que engravidar agora, nem tão cedo. Ela não concorda com o Senado. E ela vai reunir seus amigos e namorado para literalmente salvar a humanidade.

Em uma viagem de descobertas, somos envolvidos pela narrativa de Dan, que não nos faz notar as páginas sendo viradas. Todo momento estamos lidando com uma situação nova, consequência da anterior.

Um dos pontos que até me surpreendeu é que o livro, ao descrever o que restou da população da Terra e das cidades, não se torna chato ou surreal. Tudo se encaixa de forma a tornar a situação perfeitamente viável, mesmo quando estamos falando dos Partials – criados pelos próprios humanos.

Com poucos erros, Partials recebeu um cuidado que, mesmo simples, resume toda a história. Agora temos a oportunidade de conhecer o Break, o que veio depois dele e, ainda, conseguir superar todas as (muitas) dificuldades que enfrenta.

Inclusive decidir se ajudar Samm, o eu grande inimigo – pelo menos a princípio -, conseguir tornar a cura em realidade e decidir sobre ir, ou não,morar com Marcus. Wells nos apresenta um mundo do futuro, que tinha tudo e não tem mais quase nada. Restando, enfim, a fé.


NOTA ★★★

resenha escrita em 2012

Carioca apaixonada por marketing na casa dos 20 e tantos com uma grande incapacidade de ficar parada e uma vontade louca de conhecer o mundo.

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