Críticas,  Literatura

Resenha | Trilogia Faeriewalker, de Jenna Black

Em Glimmerglass, Dana conviveu dezesseis anos com sua mãe bêbada, o que naturalmente seria um problema, mas se torna ainda maior quando sua mãe não assume o problema, não tenta parar e ela, com tanta responsabilidade por ter que tomar decisões que caberiam à mãe, decide largar tudo para ir até Avalon.

Não sabia muito sobre o local, nem sobre seu pai — afinal de contas, sua mãe lhe dava informações diferenciadas e contraditórias devido ao alto grau de embriaguez. Certeza que não seria pior do que onde estava, mudando-se de pouco em pouco tempo, sem amigos, namorado, lugar fixo, além de cuidar de todas as contas da casa e pagá-las em dia (não teria dinheiro para nenhum tipo de multa).

Sem pensar duas vezes, nem pesquisar mais a fundo, Dana faz suas malas, pega seu passaporte, fala com o pai — com quem nunca tinha sequer trocado palavras educadas como “bom dia” ou um simples “oi” e parte numa viagem para Avalon e uma vida melhor. A única falha é que nada é tão fácil assim. Dana não é tão normal assim. Avalon não é tão simples assim. E, por isso, tudo complica assim que pisa na cidade.

Apesar da leitura não ser extremamente contagiante, daquelas que a gente se apaixona desde o princípio até o fim, a história é muito interessante e tem vários pontos altos. Por exemplo, o leitor — assim como a personagem — não sabe em quem confiar, não tem como adivinhar o que ocorrerá no futuro e terá problemas se quiser supor as situações: nada é tão transparente a ponto que não possa ser algo completamente diferente.

Jenna Black faz de Glimmerglass um livro diferente exatamente por pegar assuntos superficiais e transformá-los numa grande história, com dois reinos, duas rainhas, uma cidade à parte, personagens pouco desenvolvidos que, entretanto, tem suas características mais fortes bem demarcadas — o suficiente para podermos julgar se são “bons” ou “ruins”. A autora também dá seu toque de humor na boa escrita e direta, sem se tornar pouco explicativa. Ela conta o essencial, o necessário, e não deixa a desejar.

O fim não é desapontador, deixa o gostinho de ‘quero mais’ e uma ansiedade quanto ao próximo. Em vários aspectos, o livro vale muito a pena ser lido. Não só pela capa bonita, nem pela história sobrenatural, mas por tudo implícito nele.

SHADOWSPELL

Livro Shadowspell
O segundo livro da saga de Dana é um desenvolvimento de sua vida em Avalon. Mais conquistador, senti uma necessidade muito maior de terminar de ler o livro, pela leitura ter me pego de um jeito que quis conhecer mais, saber mais, além de criar perguntas que eu queria respostas (e nem todas vieram, claro), o livro é uma leitura agradável na qual aproveitamos para conhecer mais sobre Ethan, passando a entendê-lo melhor, assim como suas ações.

Dana, o foco da história, é quem mais é desenvolvida. Seus pensamentos são descritos durante toda a narrativa, permitindo que tenhamos suas mesmas dúvidas e acompanhemos a história de acordo com o que ela descobre ou as ações que sabe que aconteceram.

Não descobrimos nada antes dela, não queremos gritar com ela para falar que ela está fazendo algo certo ou errado, ou que deveria arriscar mais ou menos. Acompanhando a narrativa com ela, pegamos um carinho maior pela personagem e conseguimos nos aproximar mais dela. Afinal, são sentimentos, e muitos de nós passam por sentimentos semelhantes.

Ainda que tenha muitos pontos positivos e desperte a curiosidade, considero o início do livro apenas páginas. Melhor dizendo, páginas vazias. Não há nada realmente palpável a ponto de acrescentar muito à nossa leitura, nem algo que nos prenda totalmente a leitura. Isso ocorre depois, quando as ações vão acontecendo, e a história — finalmente — começa a se desenrolar.

Em Shadowspell, Jenna Black consegue pegar a história e transformá-la em uma trilogia interessante, cujo desenvolvimento nos prende até a última folha do último livro. Ao terminar o segundo, deixo a dica de ter em mãos o terceiro, a vontade de continuar lendo, de descobrir o que vai acontecer com todos os personagens, é tão grande que nos deixa extremamente curiosos.

SIRENSONG

Sirensong
O terceiro e último livro da série criada por Jenna Black traz Dana indo visitar a rainha da corte Seelie, um convite que ela encarregou seu filho de fazer. O problema se inicia logo nas primeiras páginas do livro, Jenna deixa claro que o filho da rainha Titânia não é muito fã do pai de Dana.

O livro, como já é esperado pelo próprio subtítulo, é quase todo baseado no convite da rainha. Dana acaba indo de Avalon para Faerie com o filho de Titânia, seus empregados, além de seu fiel protetor Finn. Estão incluídos, claro, Ethan e seus dois melhores amigos.

Em uma narrativa envolvente, que supera os dois livros superiores, Jenna, nessa série, consegue desenvolver a história de forma a manter seus personagens com características interessantes e fiéis ao mesmo tempo que transforma um livro melhor do que o livro anterior.

Sirensong é mais completo, mais prazeroso de ler e mais contagiante. Uma leitura extremamente agradável, para praticamente qualquer momento do dia a dia que nos transporta para um universo diferente, um tanto quanto mágico, mas ainda assim que beira o realístico, sendo comparável e não tão distante das personalidades.

Encerrando a trilogia com chave de ouro, Jenna dá boas soluções para os problemas criados ao longo da série. Atenção para fato histórico citado ao longo do livro (adorei, achei realmente muito legal citar Elizabeth Tudor!). Trilogia recomendada.

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