Críticas,  Literatura

Resenha | Um dia ainda vamos rir de tudo isso, de Ruth Manus

Um dia ainda vamos rir de tudo isso começou, para mim, na dedicatória desejando muitos bons desentendimentos. Começou na apresentação breve. E na primeira parte: Sentimento do mundo, inspirado, é claro, em Carlos Drummond de Andrade.

Apesar de já ter um livro publicado, Ruth Manus começa este livro se apresentando. Mas nós já a conhecemos, certo? Suas publicações estão na nossa rotina, quando recebemos avisos no Facebook de um texto novo e vamos correndo ler mesmo sem pesquisar previamente a pauta dele. Sabemos que, seja lá qual for o tema, será bem escrito.

E de fato é. “Um dia ainda vamos rir de tudo isso” contém textos que já lemos (como esquecer as conversas de whatsapp com as amigas?) e pelos quais já fomos impactados – porque ler sobre política ultimamente tem passado por um questionamento de quem somos, no que acreditamos e em quem queremos por perto.

“Pode haver um desfecho que seja aquele que a gente espera. Mas que pode não ser o que a vida nos reserva. A gente só precisa estar aberta para o que a vida oferece. As ofertas sempre continuam, não há prazo de validade nas pessoas.”

Dividido em cinco partes, encerrando com Clarice Lispector e uma identificação que, acredito, a maioria de nós já sentiu, Manus mantém a escrita leve, os assuntos relevantes e as temáticas interessantes. Ela fala de machismo, de amor, de desilusão, de acreditar mais um pouco, de manter a planta regada e, especialmente, fala de mudanças.

Seus textos, sempre otimistas, são retrato de uma geração que cresceu ouvindo contos de fada, tendo muita coisa nas mãos e precisou encarar o mundo com outros olhos, porque a vida ensinou que nem tudo é fácil, nem tudo é risada, e existe sim muita solidão.

Ensinou também que não precisamos nos afogar nela. Junto da solução há oportunidades, esperança e força. Há a divergência entre o que disseram sobre nós e o que nós de fato somos, como nos portamos, como nos relacionamos e pelo que lutamos.

“Talvez uma das melhores sensações da vida seja ouvir o barulho das correntes do passado sendo quebradas. […] E sentir nas mãos as rédeas do próprio destino.”

Este livro é, sem dúvida, um retrato de quem é a autora, um retrato de sua vida e das suas relações. Contém uma entrega que é difícil fazer sem ser apenas exposição, ao mesmo tempo que consegue conversar de mente aberta com todos nós.

Manus nos lembra do presente, do que temos hoje, nas mãos. Independentemente se somos sonhadores, se perdemos a esperança ou se seguimos os dias acordando cedo para um dia alcançarmos o retorno que queremos. Assim, ela acaba nos estimulando a assumirmos quem somos, defeitos e tudo, em nome de algo ainda mais incrível.

Viver o hoje por inteiro.


Nota ★★★★

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