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Das ilustrações que a gente ama fazer, por Mulher Vitrola

Meu nome é Re e sou ilustradora há uns anos. Intercalando entre o papel e o digital, acabei estacionando mais no digital, que me despertou uma grande paixão em 2011. Fiquei um bom tempo fazendo freelas para conseguir a prática e segurança no que eu trabalhava e, nesse período, fui decidindo também meu estilo e qual tipo de arte eu mais curtia fazer. Foi preciso muito suor e transformações!

Olha, a gente erra algumas vezes, viu? Ou melhor… digamos que a gente erra MUITAS VEZES. Erra de estilo e de escolhas, e o que pode parecer a coisa mais normal do mundo faz você se sentir uma criaturinha medíocre; o que, naturalmente, rende valiosas lições.

Recentemente, com muito medo e aperto no coração, larguei mão de ser freelancer e comecei a tocar apenas meu projeto BichAmo. Ele existe desde 2016, e eu amo fazê-lo. Isso me fez parar, aos poucos, com todos os outros tipos de freelas.

Descobri que amava desenhar bichos e pessoas mais do que todo o resto, e preferi investir em um projeto próprio, que leva o “meu nome”, em vez de dar continuidade a todas as outras coisas para as quais eu queria me dedicar apenas se fosse em um emprego fixo, que eu prestaria para OUTRA pessoa, sabe?

Compliquei? Pois até para mim parecia loucura. Me sinto até estranha explicando, mas foi isso que ficou martelando na minha cabeça por tempos. Anos depois, eu ainda estava me descobrindo, arriscando e moldando minhas preferências para que meu trabalho não fosse maçante, mas sim algo que me desse orgulho e que eu me dedicasse por inteiro em fazer.

Mulher Vitrola

Não vou mentir: muitas vezes a gente trava ao realizar bem coisas, mesmo as que a gente gosta, por falta de entendimento e adaptação às nossas vontades mais simples. Eu, por exemplo, queria continuar fazendo logos e flyers, mas não queria lidar com os clientes e perder meus finais de semana.

Eu preferia focar em projetos aleatórios e apenas ter a chance de aproveitar um dia na praia, livrando-me também de viver na frente do computador, porque um cliente pediu alguma coisa pra ontem, no WhatsApp, em pleno domingo às 23h.

Movida por muitas anotações para entender melhor toda a minha ideia e muita, muita força de vontade (não é nadafácil recusar trampos que você sabe que vão te dar uma graninha e, em contrapartida, sugar seu tempo mais do que deveria), finalmente me encontrei em meio a um mundão de tantas opções, nas quais todas pareciam para mim, mas NÃO eram.

Uma dica que posso dar é: sim, você deve tentar de tudo; experimentar, se apegar à alguns trabalhos e dar tchau para outros. O que deve prevalecer vai ser algo que vai te fazer sentir orgulho e suspirar mais do que se estressar. Claro que isso sem esquecer as suas necessidades básicas, tipo pagar suas continhas.

Nenhum trabalho vai ser molezinha, só amor e felicidade; isso é um fato para o qual devemos ficar atentos e ter os pés no chão. Essa é uma fórmula pronta, vendida em lata, que não faz nada além de nos frustrar. Mas seu
trabalho deve sim proporcionar um preenchimento no seu coração e alma, de forma que você coloque a sua cabecinha no travesseiro e pense “agora, só amanhã”.

Bons sonhos realizáveis para todos nós!

POR RENATA VITROLA
exclusivamente para Versificados

Somos uma ideia, somos diversos textos, escritos por diversos autores, somos o que podemos e queremos ser. Somos críticos, revisões, historiadores, professores, leitores, consultores. Somos agentes da mudança.

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