Literatura e História

Romances: questionamentos das mazelas sociais

O romance, gênero literário tão conhecido e amado por muitos leitores, para além de entreter, pode ser uma importante ferramenta de análise dos períodos e contextos em que vivemos, tanto por seus enredos, quanto pelos traços deixados por seus escritores ao longo da trama.

Através deles, milhares de escritores decidiram compartilhar suas visões, crenças, convicções e os fins que perseguiram durante toda a vida. Embora outros gêneros literários possuam suas riquezas, boa parte dos escritores optaram justamente pela ficção.

Essa preferência acontece, indubitavelmente, porque o escritor acredita em seu poder como um meio ou uma porta que lhe permite expressar seu engajamento e comprometimento com sua sociedade.

O romance ganha significativo lugar na vida das sociedades porque sem ele, o espírito crítico, motor da transformação histórica e o melhor defensor da liberdade com que contam os povos e nações, sofreria uma queda irremediável.

Toda boa literatura, e neste caso a ficção, é um questionamento radical do mundo em que vivemos. Embora nem sempre os escritores tenham a intenção, todo grande texto ficcional incentiva uma predisposição sediciosa, desobediente, indócil.

Principalmente escritores engajados e realistas, que de forma assídua, têm a disposição de se arriscar utilizando os poderes da ficção, agem transpondo, de diversas formas e intensidades, os acontecimentos que entendem relatar, sujeitando-os a essa reelaboração de natureza paradoxal, acreditando ser o único formato que pode fazê-los significar e comunicar plenamente.

O romance, assim como a auto-ficção, nitidamente aclara a percepção dos recursos literários e existenciais que constituem sua estrutura. É através da autoficção, do material de caráter biográfico, enriquecido pela vivencia em sociedade e alimentado da realidade existente, que se torna possível certificar o engajamento dos escritores.

Um romance configurado por uma estética realista em conjunto com uma responsabilidade que o escritor deve exercer perante aquilo que se escreve, produzindo assim, ao longo de seu enredo uma problemática, empregando uma reflexão e argumentos lúcidos, levará o leitor a se questionar.

Também colocará em prática a crítica, principalmente porque exposto a essa riqueza e diversidade que é o mundo fértil da ficção, dificilmente o leitor se contentará e permanecerá em sua zona de conforto, como um indivíduo resignado e fatalista, com esse mundo repleto de distorções e desigualdades em que vive. Através dos romances engajados, esse leitor estará em ininterrupta e imutável exigência de tornar sua sociedade em algo melhor.

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