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Crítica | Saving Banksy: um documentário

Com apenas 80 minutos, o documentário Saving Banksy traz alguns dos principais artistas de rua para discutir não só as artes de Banksy como também todo o conceito de arte temporária e sistema de arte. E faz isso com sucesso ao demonstrar três pontos de vista.

De um lado, grafiteiros debatendo o surgimento, a estratégia e a arte de Banksy, ao mesmo tempo que criticam a figura dos negociadores de arte. O segundo ponto de vista é exatamente o deles: sustentado por discursos ideológicos que se comprovam como puro interesse financeiro — afinal, são centenas de dólares em jogo.

O terceiro e último ponto de vista fica entre os opostos. Artes de rua, independentemente de quem as faz, são temporárias. É questão de tempo até que outro grafiteiro tome o espaço e faça sua proposta por cima ou muito próximo de outra arte.

Foi pensando nisso e no óbvio talento de Banksy que um fã teve a ideia de retirar uma das artes do grafiteiro da parede e expôr em um lugar onde a arte estaria segura e acessível. O irônico é que, enquanto o sistema não aceitava a arte de graça, colecionadores estavam dispostos a pagar até 700 mil dólares por ela.

O documentário é, sem dúvida, um retrato do significado de uma arte pouco respeitada; criada como forma de denúncia e provocação, que existe dentro de um contexto. São artes que recriam significados e enfrentam convenções, pensamentos e política (inocência seria pensar que arte não é política) — e que perdem seu sentido se ficam dentro de uma mansão, em uma coleção pessoal, ou dentro de um museu, mas que, quando permanecem na rua, tem seus dias contados.

Carioca apaixonada por marketing na casa dos 20 e tantos com uma grande incapacidade de ficar parada e uma vontade louca de conhecer o mundo.

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