Críticas,  Literatura

Resenha | Série Anna, Lola e Isla, de Stephanie Perkins

Romance de estreia de Stephanie Perkins, Anna e o Beijo Francês conta a história de Anna que é mandada para uma escola em Paris por seu pai, escritor famoso. O que, a princípio, parecia ser algo horrível — afinal, a vida em Atlanta era muito melhor, não? — acaba por se transformar em agradável.

Paris: a cidade do romance, cinemas e onde forma seus novos amigos. Mer, Rashimi, Josh e, claro, o lindo Étienne… que namora Ellie. Meio americano, meio francês e meio inglês, apaixonar-se por ele é inevitável, para ela e para todas as outras garotas do internato.

Stephanie Perkins tem uma escrita tranquila e bem desenvolvida. Seus personagens são bem elaborados e contém uma história por trás que justifica seu crescimento, medos e mudanças ao longo do livro. Um romance sobre, claro, amor e amizade. Com um bônus de como lidar com os problemas que a vida apresenta e suas consequências.

O livro consegue, ao mesmo tempo, ser mais e menos do que se espera. Menos no quesito romance, que apesar de bem escrito e desenvolvido não é o melhor romance já escrito — mas atende as expectativas, talvez até melhor do que se proponha. E mais pois, nas entrelinhas, trata de assuntos cotidianos mesmo que em um cenário diferente.

Diferentemente de outros, não me identifiquei com os personagens. O que não foi um empecilho para adorar a história e, como sempre, me colocar na situação do personagem e pensar “o que eu faria se estivesse vivendo isso?”.

O final enrola um pouco, algumas coisas são desnecessárias, talvez justificável pelo fato de, pelo menos assim, não se esperar uma continuação do livro (o que não seria má ideia, mas teria que ser extremamente bem desenvolvido para compensar).

De qualquer forma, foi o único livro até hoje que me fez ficar acordada até às 5 da manhã — porque realmente não notei a hora passar — por não conseguir largá-lo.

LOLA E O GAROTO DA CASA AO LADO

Dolores, mais conhecida como Lola, tem 17 anos e uma noção de moda que colocaria muitos estilistas no tapete — ela gosta de montar seus próprios looks temáticos, coloridos e chamativos não só unindo peças de roupas como improvisando e costurando também. Maria Antonieta é seu grande projeto, um sonho para o baile que a escola fará.

Seu namorado, Max, não está muito feliz com a ideia de acompanhar a namorada (cinco anos mais nova) em um evento tão “estúpido”, todavia não há espaço para discussão depois que Cricket Bell volta a morar na casa vizinha, virando de ponta cabeça os finais de semana de Lola. Ainda mais quando se une a volta dele, uma mãe sem-teto bêbada e uma fuga de casa mesmo com os pais gritando para que ela volte.

Certamente nada poderia ficar pior. A menos que Lola descubra mais sobre o passado e entenda o que aconteceu no dia em que Cricket a decepcionou, mudando para (quase) sempre o caminho dos dois.

Stephanie volta com seus personagens Anna e St. Clair, permitindo-nos apreciar um pouco do relacionamento iniciado em “Anna e o Beijo Francês”. A narrativa com características leves continua sendo um dos seus principais pontos fortes, além do romance que nos prende do início ao fim, mesmo sabendo com quem Lola vai ficar.

Quando penso em uma palavra para descrever Lola e o Garoto da Casa ao Lado, a primeira que me vem à cabeça é “fofo”. Desde a vestimenta criativa e, admitamos, estranha de Lola até a mudança de Cricket — do que ela conhecida para o que acaba de voltar a morar a seu lado. Ainda que Calliope, irmã gêmea Bell, venha para quebrar um pouco do ar e tornar as coisas levemente mais difíceis.

Fui pega por algumas surpresas, como os pais gays de Dolores, e Perkins fez delas sempre muito agradáveis. A leitura flui com facilidade, ao final, sabemos que terminamos de ler um chick lit que tem seu diferencial, tanto na história quanto na escrita, que nos encanta desde a primeira página.

Não me restam dúvidas de que Stephanie Perkins escreveu um livro tão bom quanto o primeiro, e mal posso esperar pelos próximos trabalhos da autora que estão por vir.

ISLA E O FINAL FELIZ

Isla é irmã do meio, cujo melhor amigo autista está sempre procurando o Melhor Caminho, e está apaixonada há três anos pelo mesmo garoto. No último ano do ensino médio, ela descobre que o seu novo quarto é o mesmo que, no ano anterior, foi o dele.

Ele é Josh, cujo pai está concorrendo ao senado e a mãe cuida para que tudo saia em perfeitas condições para a eleição. Ele terminou com a ex-namorada há pouco tempo e está criando quadrinhos que contam sua própria história.

Eles se encontram numa lanchonete. Isla está sob efeito de anestésicos, então seu filtro está longe de funcionar direito. É nesse primeiro encontro honesto que a possibilidade de um futuro juntos surge.

Isla e o Final Feliz foi, para mim, o mais fraco dos três romances de Stephanie Perkins. Mas tal classificação não é problemática quando os outros dois foram simplesmente maravilhosos. Acontece que Josh e Isla não tiveram, em mim, o mesmo efeito que os outros dois casais.

Ainda que seja difícil não se importar com o garoto que desenha maravilhas e a menina que está aprendendo a ser ela mesma. É interessante acompanhar o crescimento de Isla, ver seus erros e perceber seus acertos — e me identifiquei com o fato de ela precisar aprender a se arriscar.

A escrita da autora não desapontou. A narrativa simplesmente flui e ela se prende ao que realmente importa, o restante faz parte de seu dia a dia, mas não é o foco principal. Apesar de, em tese, este ser o último volume, claramente a autora conseguiria aproveitar algumas personagens para outros romances (e, de certa forma, espero que as aproveite).

Os capítulos finais foram realmente excelentes, quando todas as situações estão sendo resolvidas e as personagens dos livros anteriores aparecem para contribuir com o “final feliz” — e como não sorrir com a felicidade delas, soltar um “que fofo” e esperar por mais?

O fato é que Isla e o Final Feliz tem tudo de melhor da autora e isso compensa qualquer parte que poderia ter sido um pouco mais elaborada, encurtada ou desenvolvida (porque, sim, achei esses três elementos na história). Com certeza, continuarei esperando por outros lançamentos, tão doida para lê-los quanto antes.


NOTA DA SÉRIE ★★★

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