Revista

Sobre o amor e outras religiões

É possível que o amor, assim como as religiões possa nos levar certo fanatismo.

Amor: Sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro.

Muitas vezes, esse sentimento de dedicação é tão intenso que nos arrasta para um estágio de total dependência do outro. E, caso este outro não nos corresponda, definhamos, nos enfraquecemos, morremos.

Ao encontrar o amor, passamos pelo mesmo processo da descoberta da religião e suas belas novidades. Tudo nasce de uma admiração, de uma curiosidade.

O segundo passo é o querer constante. Queremos estar com o outro, queremos participar da religião e de seus ritos.

Em seguida, esse querer se intensifica e nos leva ao fanatismo.

Fanatismo: Aderir cegamente a doutrina ou partido.

A única coisa que desejamos é o outro. Comemos e bebemos o outro. Dormimos o outro. Nos abandonamos de todos a nossa volta para alimentar a alma unicamente do culto ao outro.

Na maioria das vezes, essa fase de incondicional admiração é substituída pela estabilidade emocional. Assim como a religião, o outro passa a ser mais um dos alimentadores de nossa existência… e não apenas o único. Essa é a melhor fase para se viver um amor e uma religião.

Em muitos casos, há a fase do desencantamento. A religião já não responde aos nossos anseios; o outro já não dá conta das nossas urgências. E, então, o amor passa a ser uma porta entreaberta. A qualquer momento, podemos abri-la e ir embora; a qualquer momento, podemos atravessar o pórtico sagrado e buscar um outro amor, uma outra companhia, uma nova religião.


por Igor Gonçalves, exclusivamente para Versificados

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