Revista

Sobre o amor e outros mitos

“Amor foge a dicionários e a regulamentos vários.”
Carlos Drummond de Andrade – As sem-razões do amor

O amor é um sentimento que permeia o nosso imaginário desde muito cedo. Nosso primeiro contato com ele é puro, verdadeiro, inocente. É no seio da mãe em meio às lágrimas que aprendemos que amor é conforto.

Ficamos maiores e somos logo introduzidos às produções sobre o amor: músicas, desenhos, filmes. Porém o que mais causa impacto são as produções da Disney. Toda menina ou menino já passou horas em frente à TV assistindo filmes de princesas. É em meio a rainhas malvadas, cavalos brancos e príncipes heróis que aprendemos que o amor salva e deixa feliz para sempre.

Crescemos mais um pouco e é nossa vez de experimentar o tão famigerado amor. Saímos em busca do conforto, da salvação e do feliz para sempre. É durante a aventura de encontrá-lo que descobrimos que o amor machuca.

Percebemos que aquele príncipe dos contos de fadas na verdade era um safado abusador de mulheres inconscientes, era um machista que não achava que a princesa poderia salvar a si mesma. As lentes cor de rosa caem, mas não sem antes trazerem um mundo de devastação.

É na dor de descobrir que nem sempre o amor conforta, nem sempre salva e que o feliz para sempre dura tão pouco é que passamos a uma outra fase: a negação do amor.

Já passei por todas essas fases e o que posso dizer atualmente é que o bom do amor é desmistificá-lo.

Somos bombardeados com a idealização do amor perfeito o tempo todo. Aprendemos que o amor que deu certo é aquele que viveu feliz para sempre, não teve brigas, desencontros, muito menos sofrimento.

Aprendemos que o certo é encontrar A PESSOA certa. Aquela única, “the one” e com ela passear de mãos dadas por campos verdejantes em direção ao sol. Isso não passa de mais um mito.

O amor não é perfeito e isso é ok. As imperfeições nos ensinam a tolerância ao diferente. Em meio a 7 bilhões (e aumentando) de pessoas no mundo é sádico achar que somente uma dessas se encaixaria e daria certo com você.

Já pensou se o seu ou sua “the one” fica com outra pessoa? Estaria você condenado a viver pra sempre sem amor? Besteira. O que existe são pessoas que se encaixam na nossa vida e para aquele momento elas são certas para nós.

Isso não é uma mensagem de desesperança, nem de conformismo, pelo contrário. Pelo menos para mim, dá um alívio imenso não ter o peso de acertar o grande prêmio da Mega-Sena em matéria de amor. Nós vamos errar, pessoas irão errar com a gente e cabe a nós decidirmos o que estamos dispostos a relevar e o que não.

Quero deixar claro aqui que o fato do amor não ser perfeito e não existirem pessoas perfeitas não significa que você deve se contentar com a infelicidade em seu relacionamento e principalmente não deve aceitar nenhum tipo de abuso. Existem limites para imperfeição. E abuso é crime, não defeito.

Não se culpe por ter errado, por estar errando e muito menos porque um dia irá errar. Nossos erros nos ensinam a melhorar nosso caráter e nossa perspectiva de vida.

Quanto a mim procuro muito mais ser a pessoa certa (trabalhar minhas questões emocionais) do que encontrar a pessoa certa.

One Comment

  • Adrian

    “Não se culpe por ter errado, por estar errando e muito menos porque um dia irá errar. Nossos erros nos ensinam a melhorar nosso caráter e nossa perspectiva de vida.”

    Yes ❤️

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