Literatura

Resenha | Trilogia Fundação, de Isaac Asimov

Fãs de ficção científica ou não já pararam para pensar num futuro distante em que o homem teria conquistado todo o Universo. Asimov, escritor e bioquímico americano, nascido na Rússia e autor de “Eu, Robô” — que virou filme com Will Smith -, apresenta-nos a história da humanidade a partir deste contexto.

Como toda evolução humana e das suas relações, descobrimos a existência de uma nova ciência a psico-história. Complexa, envolvendo previsões e cálculos, um dos maiores cientistas Hari Seldon prevê a ruína da humanidade, que na história vive sob um Império. Como saída, ele planeja a criação de duas Fundações que estariam localizadas nas extremidades do Universo.

A primeira delas é a mais conhecida e era a protetora de todo o conhecimento humano, mas não era capaz de compreender e perdurar com a psico-história. Era um planeta rico em conhecimento técnico e matemático e durante a queda do império foi capaz de se expandir, criar naves, projetar usinas que produziam energia etc. Já a segunda Fundação era totalmente desconhecida, até para os leitores, que só vão lembrar dela quando sua existência é questionada.

Hari Seldon e outros cientistas da psico-história desenvolveram esse plano para proteger a humanidade. Ele previra crises que a Primeira Fundação passaria e em todas deixara uma mensagem para auxiliar os seus líderes a combater seus inimigos.

Os três livros apresentam-nos diversos artifícios que nós, seres humanos, usamos em nossas sociedades desde o princípio: a religião, a necessidade de criar um ídolo, a política, a guerra, a confiança na ciência e a criação de mitos. Ao estudarmos a história de qualquer sociedade, vemos esses elementos intricados.

Nenhuma sociedade, nenhum país, foi constituído sem esses eles. Não é necessário afastarmo-nos temporalmente para verificarmos isso. Vejamos a história do Brasil, por exemplo. A religião cristã está imbricada na nossa formação. Hoje, há, ainda bem, estudos sobre as religiões de matrizes africanas no período colonial.

Temos a criação de Tiradentes como ídolo da República e d. Pedro I como ídolo da independência, por exemplo. Quantas formas de governo já tivemos? Muitas! Colônia, Império, República das Espadas, República Café com Leite, duas Ditaduras e República de novo.

Um período de grande valorização da ciência, por exemplo, foi com D. Pedro II, que mantinha contato com Charles Darwin. Tivemos a guerra do Paraguai — que pouco estudei na faculdade para falar mais. Criação de mitos, ora passamos recentemente pelo feriado de 7 de setembro. O mito do grito do Ipiranga faz parte da criação de uma identidade nacional.

Asimov trouxe esses elementos para a ficção científica. A trilogia da Fundação faz-nos perceber estruturas de funcionamento das sociedades humanas por toda a história. O ser humano é um animal político, como disse Aristóteles, e, ao que parece, todos os artifícios fazem parte da sobrevivência da nossa espécie.

O desenvolvimento do conhecimento e nossa inteligência são, na visão de Asimov — e creio que esteja correto -, nossas armas, seja para o bem, seja para o mal. Essa trilogia é considerada sua obra-prima e em 1966 foi eleita a melhor história de ficção científica e de fantasia de todos os tempos, derrotando J. R. R. Tolkien e “O Senhor dos Anéis”.

Historiadora, feminista e dog lover que está aprendendo a se amar e aceitar quem é.

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