Literatura

Resenha | Trilogia Hopeless, de Colleen Hoover

Como se começa uma resenha de um livro tão absurdamente completo? Hopeless era um dos lançamentos mais esperados da Galera Record desde quando ela anunciou que tinha adquirido os direito. Métrica, da mesma autora, já tinha conquistado muita gente, como esse seria diferente?

Então, liberaram a capa e o título. E, sem dúvidas, Um Caso Perdido poderia simplesmente ter mantido o título original. Não porque esse não é um título bom, mas porque a palavra “Hopeless” tem um significado incrível em toda a narrativa.

Nem tudo vai dar certo no meu caminho e nem todo mundo ganha um final feliz. A vida é realista e, às vezes, as coisas ficam feias e só nos resta aprender a lidar com elas.

Logo no iniciozinho vocês vão descobrir que essa palavra é uma tatuagem que Dean Holder tem e é só com essa informação que vocês têm que se interessar pelo livro. Boa sorte, boa leitura, tchau. Certo, não é só por isso, mas não tinha como não citar e, felizmente, não é spoiler.

Sky conhece Holder quando ele a confunde com outra pessoa. A princípio, a garota-que-não-sente-nada acha que ele é mais um cara tentando levá-la para cama, mas não precisa de muito para descobrir que ele só não passava de um maluco qualquer.

Passei tanto tempo tentando encontrar maneiras de me sentir apática toda vez que podia, mas ao ver o entusiasmo que há por trás de seus olhos agora… fico com vontade de sentir todas as coisas possíveis da vida. As boas, as ruins, as bonitas, as feias, o prazer, a dor. Eu quero isso. Quero começar a sentir a vida da mesma maneira que ele.

Mais ou menos, porque se ela tem lá a sua popularidade por conta da sua melhor amiga, com certeza ele também tem a dele. Nenhuma das duas são coisas bonitas e dignas de comentários aqui, ainda que na escola deles isso seja tudo sobre o que se fala.

Colleen Hoover escreve um romance new adult com todos os pontos necessários: Uma personagem feminina que não é chata e outra que esconde diversos segredos. Uma amiga doida (e muito divertida), uma mudança de vida significativa elevado ao cubo. Um amigo gay que sabe que nada melhor que um bom café pela manhã.

Independentemente do que acontecer conosco nessa vida, esse momento acabou de unir parte de nossas almas. É algo que sempre teremos, e, de certa maneira, é reconfortante saber disso.

E, bom, estamos falando de Colleen Hoover, então não esqueça da parte da narrativa impecável, que te prende nas primeiras páginas e te deixa maluco para ler tudo em um segundo, mas querendo que o livro dure para sempre. Risadas das boas, cenas românticas que poucos conseguiriam escrever com qualidade.

Não só isso, claro. Uma história de dar inveja em muita gente, mas que vai sim pegar seu coração e apertar tanto em alguns momentos que você vai precisar respirar um pouco (por volta de dois segundos, estourando) antes de voltar à leitura. Há um problema, há desentendimentos e o segredo é simples: a vida não é um mar de rosas.

– Quero que lembre quem você é, apesar de todas as coisas ruins que estão acontecendo com você. Porque essas coisas ruins não são você. São apenas coisas que aconteceram com você. Precisa aceitar que quem é e o que acontece com você são duas coisas diferentes.

Com pouquíssimos erros — achei apenas dois e foram de diagramação -, capítulos separados por datas e links diretos com a vida de qualquer jovem adulto, Um Caso Perdido vai te deixar apaixonado. É daqueles para guardar na estante e ai de quem tocar sem ter permissão!

SEM ESPERANÇA

Livro Sem Esperança

Não gosto muito de livros que se propõem a contar a mesma história sob outro ponto de vista, até porque geralmente prefiro ler só o ponto de vista do homem e pronto. Entretanto, a Sincerando falou então bem que pensei “ok, vou dar uma chance”.

E… Dean Holder, por que não existe na vida real? Por que não existe na minha vida? Por que não vira o meu homem e casa comigo para sermos felizes para todo o sempre amém mesmo com suas mudanças de humor? Eu aguento, juro.

Livro Sem Esperança

É, galera, Sem Esperança não desaponta nem um pouquinho. Muito pelo contrário, foi amor à primeira lida. O primeiro livro foi conquistador e surpreendente aos poucos, este, talvez por já sabermos das surpresas, foi intenso desde a primeira página.

Ficar com ela me fazia pensar no amanhã e no dia depois de amanha e no dia seguinte e no ano seguinte e na eternidade. Preciso disso agora, pois se eu não abraçá-la de novo… vou terminar olhando para trás mais uma vez, deixandoo passado me engolir completamente.

Começamos o romance com um Holder feliz com Less, sua irmã gêmea. Vemos ele perder o chão e se culpar. Criar um novo significado para as palavras. Juntar Hopeless em uma tatuagem e decidir abandonar tudo, porque, afinal, qual o sentido de seguir os planos?

Então, encontramos Holder na dúvida. Apostando na sorte de Sky não ser quem é. Vemos seu passado se infiltrar no presente e moldar seu futuro — tudo em uma narrativa intensa ao extremo, quase silenciosa em meio a gritos de sentimentos que estão nas entrelinhas.

É essa a beleza da duologia Hopeless: as entrelinhas. O quanto Colleen Hoover consegue falar tudo aos poucos e nos apresentar personagens críveis, realistas e maravilhosas — personagens que são bonitas e feias e diferentes e originais.

Nos próximos minutos, ficamos completamente perdidos no que parece a perfeição absoluta. O tempo parou completamente e, enquanto nos beijamos, só consigo pensar que é isso que salva as pessoas. Momentos assim, com pessoas como ela, que fazem todo o sofrimento valer a pena.

A narrativa que nos prende a atenção e nos faz devorar 200 páginas em um dia — quiçá o livro inteiro se o sono permitir (pelo menos comigo, que costumo ler à noite). É o tipo que não nos deixa vez as páginas passando, sabe? Nos encanta a cada virada.

Sem Esperança me surpreendeu também. Conquistou-me. Sou muito grata à Sarah por não ter me deixado desistir de ler só porque já conhecia a história. Inclusive, vale ressaltar, que foi um dos poucos livros do gênero que li rapidamente numa fase no qual nada new ou young adult tem me agradado.

Minha única crítica vai para a diagramação. Não gosto de livros com bordas tão pequenas, sei que é bom para economia de papel e tal, mas me atrapalha um pouco a leitura. E tenho minhas dúvidas sobre o modelo da capa — a posição dele é meio estranha, mas ainda acho que passa um sentimentalismo que faz sentido.

Ainda sinto uma saudade do cacete de você. Uma saudade imensa. Especialmente quando acontece alguma coisa que você acharia engraçada. Sinto falta da sua risada. Mas […] para sentir a falta de alguém, a pessoa primeiramente precisa ter tido o privilégio de ter esse alguém em sua vida.

EM BUSCA DE CINDERELA

Livro Em Busca de Cinderela
E acho que essa é a única reclamação que tenho quanto à novela: eu realmente queria mais. Mais de Daniel, mais de Six, e por que não um pouco mais de Sky e Holder? O epílogo poderia ter sido menor e temas que “sobraram” para ele poderiam ter sido desenvolvidos em ouros capítulos.

É estranho, normal, sensual, triste e diferente, e não quero soltá-la. Tem algo de empolgante nisso, como se estivéssemos numa espécie de contos de fadas.

Mas é humanamente possível não se apaixonar por Daniel? E por Six? Não achei. Como Holder diz certo momento: eles combinam. E coloca combinação nisso. Ambos se encontram pela primeira e segunda vez no armário do zelador, com luzes apagadas, com medo de que se descobrirem quem são o romance acabará.

Entretanto Six acaba por ir para Itália, voltando um ano depois. É claro que eles se encontram e é claro que demora um tempinho até finalmente descobrirem quem são. A questão entre eles é a mesma que encontramos em Um Caso Perdido: passado e presente se encontrando.

Todos temos nossos segredos, Daniel. Alguns de nós simplesmente esperam que eles fiquem escondidos para sempre.

A história é contada por Daniel, que tem um senso de humor que jamais entenderei como todas as garotas não ficavam loucas só por isso. Foi um romance que, mesmo em momentos tensos, me fez rir — e, considerando que estava lendo até mesmo enquanto fazia compras no supermercado, foi uma daquelas situações de estar a ponto de gargalhar sozinha e as pessoas olharem estranho.

Colleen Hoover conseguiu de novo me conquistar. Em Busca de Cinderela deixou um baita gosto de quero mais, principalmente porque Six não tem nada de personagem chata e o drama necessitava daquele peso. Não é nada exagerado, chato ou bobo. É lindo e emocionante.


NOTA DA TRILOGIA ★★★★★ ❤

Carioca apaixonada por marketing na casa dos 20 e tantos com uma grande incapacidade de ficar parada e uma vontade louca de conhecer o mundo.

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