Literatura

Resenha | Trilogia Jogos Vorazes, de Suzanne Collins

Jogos Vorazes é incrível do início ao fim. Katniss, também chamada de Catnip por Gale, seu melhor amigo, está preparada para o dia da Colheita, o dia em que espera não ser chamada apesar de todas as chances estarem a seu favor, com seu nome tantas vezes em meio aquele bolo de nomes. Entretanto, quem é chamada é sua irmã, Prim, de apenas doze anos.

Por amor, e consciência de que apenas uma pessoa sai viva dos Jogos Vorazes, um lembrete aos distritos de que a Capital está ali e é bom que não haja nenhuma menção à tentar mudar o estado das coisas — afinal, tentaram anteriormente e o Distrito 13 deixou de existir — ela se oferece para ir no lugar de sua irmã. Algo que ninguém ali faria, algo que os irmãos de Peeta não fizeram.

Jogos Vorazes

Aliados, por serem do mesmo distrito, o 12, mas concorrentes porque estava óbvio que, em algum momento, um deles iria morrer, elaboram táticas junto a outras pessoas que os acompanham até o início dos Jogos. São essas pessoas que escolhem suas roupas, transformam a sujeira em algo limpo e a pele em algo perfeito. Afinal, tudo irá aparecer, ao vivo, na televisão.

Suzanne Collins cria uma história intrigante que não se faz boba ou sem rumo por ser sempre uma crítica à Capital, ou um lembrete da mesma. Explora a questão da hierarquia, da amizade entre concorrentes, e da esperança de que, apesar das poucas regras serem claras: só um sai vivo, talvez haja alguma mudança que permita mais de um sair com vida, ganhando prestígio, dinheiro, casa, comida e coisas que os distritos acima do dois já começam a não ter.

A narrativa não permite que se solte do livro um segundo sequer. Deixa o leitor intrigado para o próximo passo, o próximo acontecimento, o canhão a disparar anunciando a morte de alguém. Mas quem? E o amor, nada clichê, nem totalmente à vista numa primeira leitura algo sutil que complementa tudo de forma inacreditável. O primeiro livro da série prova sua competência e talento. Além da óbvia criatividade.

EM CHAMAS

Jogos Vorazes
O segundo livro da série, Em Chamas não desaponta nem um pouco, a expectativa é tão alta e, incrivelmente, superada a cada capítulo do livro contado por Katniss. Vitoriosa, junto a Peeta, graças à inteligência de pegar uma fruta venenosa na última hora e ameaçar colocá-la na boca, eles voltam para se preparar para a turnê pelos doze distritos.

O problema é que a Capital, representada pelo presidente Snow, não está feliz com suas regras do jogo terem sido mudadas a força — senão os perdedores seriam eles.

E a Capital ser considerada perdedora seria um estimulante máximo para que os demais distritos se rebelassem. Katniss não sabia, Peeta muito menos.

>Mas o desejo de uma nova revolução já estava crescendo e, ao desafiarem as regras do jogo, devido a um suposto amor impossível de medir, Katniss se encontra obrigada a manter a pose com Peeta, declarar um casamento e mostrar-se inteiramente apaixonada para que o povo de toda Panem não atribua o ato a rebeliões. Entretanto, o fósforo tinha sido aceso, e agora ninguém poderia apagar.

Num confronto político, a Capital decide fazer com que o Massacre Quaternário seja disputado apenas por aqueles que já haviam disputado os Jogos Vorazes e haviam voltados vivos (obviamente). Katniss está inclusa, sem direito a opção, por ser a única vencedora do Distrito 12.

Peeta, por sua vez, quer estar ao seu lado para defendê-la de possíveis perigos. E, assim, eles vão — junto a vários outros vencedores — disputar o Massacre. Dessa vez, só haverá um vencedor. Pelo menos é o que diz a Capital.

Em Chamas é tão contagiante quanto Jogos Vorazes. É daqueles livros que a gente pega e não solta até terminar, curioso pelo que Suzanne escreveu e fez acontecer.

Acima de tudo, uma possível surpresa sobre o rumo dos acontecimentos, além da incrível criatividade para montar personagens consistentes, inteligente, bizarros e que, acima de tudo, têm algo em comum. A nova arena é surpreendente, e, depois que se conhece, previsível, o que não transforma seus acontecimentos em fáceis de adivinhar.

Suzanne Collins sabe criar uma bela história que, sinceramente, eu não classificaria como infanto-juvenil (não acho que seja para crianças), e não se parece muito com terror para os leitores.

O terror está na vida das personagens, em seus parentes, em sua luta e, principalmente, nos horrores da Capital. Intrigante, inteligente, politicamente engatado mesmo que numa realidade diferente. Absolutamente incrível.

A ESPERANÇA

Jogos Vorazes - A Esperança
A Esperança é o último livro da trilogia de Jogos Vorazes, uma trilogia que, para ser sincera, bateu recordes e é uma das melhores que existem na minha opinião.

Agora a rebelião vai de fato acontecer, e a garota em chamas — Katniss — vai ter que descobrir por si só quem está ao seu lado e quem não está, quem é um amigo com quem pode contar e quem está ali apenas para usá-la. Usar seu rosto, o que ele significa e o que representa para a rebelião que atinge, aos poucos, os distritos e tende a, por fim e finalmente, acabar na Capital.

“Mas também há algo mais, algo totalmente dela própria. Uma habilidade para olhar a bagunça caótica da vida e enxergar as coisas como elas efetivamente são.”

O final da trilogia promete, e é, um encerramento de todo questionamento que se inicia no primeiro livro. É um livro com determinismos, no sentido de que é nele que tudo acaba se resolvendo, inclusive o que — somente nas aparências — já estava resolvido.

A existência de um suposto distrito, o 13, o que significa sua existência e como pode ser ele o principal na ajuda contra a Capital, sendo o mesmo que, durante os anos de rebelião, supostamente não sobreviveram. Se sobreviveram, por que não ajudaram os restantes dos distritos? Quem vive nele? Quais são suas regras? Qual o papel de Catnip, o Tordo, em seu plano contra a Capital? Quais são os envolvidos?

“Agora estamos naquele período tranquilo onde todo mundo concorda que os nossos horrores recentes jamais deveriam se repetir — diz ele. — Mas o pensamento em prol do coletivo normalmente possui vida curta. Somos seres volúveis e idiotas com uma péssima capacidade para lembrar das coisas e com uma enorme volúpia pela autodestruição. Mas quem sabe?”

É um livro cheio de surpresas, angústias e que nos deixa ansiosos por mais. Queremos saber o que vai acontecer, quem vai sobreviver, quem vai lutar. Queremos saber se a Capital vai cair, e como vai cair, quem será o responsável por isso e se é apenas um.

Queremos ver mais sobre os vencedores dos Jogos, o que fizeram com os que não tiveram a mesma sorte de cair no 13, e quais as consequências que terão de enfrentar. Saberemos quem é, de fato, o Presidente Snow, descobriremos mais sobre seus detalhes que, antes, poderiam passar totalmente desapercebidos.

“Necessito é do dente-de-leão na primavera. Do amarelo vívido que significa renascimento em vez de destruição. Da promessa de que a vida pode prosseguir, independentemente do quão insuportável foram as nossas perdas. Que ela pode voltar a ser boa.”

É assim, revelando aos poucos, que Suzanne termina com chave de ouro uma estória que vai ficar para a história. Sem deixar nada para trás, nada não resolvido ou de alguma forma pendente, o último livro é surpreendente do início ao fim — principalmente como o final da estória é contado.

A Esperança resume, de fato, o último e talvez também toda a trilogia em si. Mantendo a qualidade, a boa escrita e personagens encantadores, que com certeza sentiremos falta.

“- Você me ama. Verdadeiro ou falso?
– Verdadeiro.”


NOTA DA TRILOGIA ★★★★★ ❤

Carioca apaixonada por marketing na casa dos 20 e tantos com uma grande incapacidade de ficar parada e uma vontade louca de conhecer o mundo.

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