Críticas,  Literatura

Resenha | Trilogia O Verão que Mudou Minha Vida, de Jenny Han

Primeira trilogia de Jenny Han a ser publicada no Brasil, os livros saíram pela Galera Record e, apesar da classificação jovem adulto, é bem escrito, desenvolvido e abraça qualquer idade que quer algo leve, mas que traga algo a mais.

O VERÃO QUE MUDOU A MINHA VIDA

Jenny Han me surpreendeu com a história que tinha para contar. Histórias sobre verão passam a impressão de serem repetitivas, entretanto todos que já tiveram suas férias de verão em um lugar com praia para onde iam sempre (como eu) vão se identificar com os sentimentos de Belly. Algo rotineiro parece ser o último, e como encarar que os verões podem ser diferentes?

Com personalidades bem demarcadas, Jenny cria Isabela, Steven, Conrad, Jeremiah, Susannah (ou Beck) e, claro, a mãe de Belly, os personagens que fazem da história algo inspirador e realmente nos faz lembrar de verões passados.

O último verão onde todos estarão reunidos, é o que Bells acha, com alguns segredos, outros desentendimentos e seu irmão boa parte fora dele, além de segredos que já não são tão secretos assim, como o fato de Belly ter sido beijada pela primeira vez por Jeremiah, e seu amor declarado (às vezes) à Conrad.

“Às vezes é como se as pessoas fossem um milhão de vezes mais belas na nossa cabeça, como se as víssemos através de uma lente especial. Mas, por outro lado, se é assim que as vemos, talvez seja assim que elas realmente são.”

Agora ela não é mais uma menininha, vai fazer 16 anos e tem que lidar com situações que vão mudar para sempre seus verões e também sua vida.< Terá de encarar o amor, a possível perda, entender mais a própria mãe, terá que tomar decisões importantes e finalmente deixar de ser criança para lidar com situações mais sérias e que precisam de mais atenção que seu bico quando não consegue o que quer. A história encanta por ser de amor e falar, nas entrelinhas das situações, de amadurecimento. O verão, que não se sabe se será o último a ser passado daquele jeito costumeiro, passa rápido e deve ser aproveitado ao máximo, apesar de todas as situações, é preciso reaprender a ser feliz, ser feliz com o que se tem. Encantador do início ao fim, deixa gosto de quero mais.

SEM VOCÊ NÃO É VERÃO

Quem se apaixonou com o primeiro livro da trilogia “Verão”, de Janny Han, pode se preparar para um segundo livro mais apaixonante e mais difícil de largar. Sem Você Não é Verão me pegou na primeira página e cinco horas depois eu estava terminando o livro, querendo desesperadamente saber quando sai o terceiro (ainda sem resposta, droga).

Sim, você vai levar esse livro para onde der e puder, mesmo com o início tendo aquele tom de tristeza, um pouco de saudade e uma dose extra de melancolia. Se você leu o primeiro livro, sabe que Suzannah teve seus últimos dias, e deixar sua memória para trás, mesmo que apenas o suficiente para conseguir superar a dor e a falta que ela faz, é totalmente impossível — seja para Belly, para Conrad, Jeremiah, Steven ou Laurel.

“E não importa o que você faz ou o quanto você tenta, não se pode evitar um sonho.”

Cada um se virou para lidar com a perda, e isso inevitavelmente desestabilizou todos eles. É com o sumiço de Conrad, e a aparição de Jeremiah pedindo ajuda para encontrá-lo, que Belly passa o primeiro verão longe da casa de Cousins e dos meninos. Sua melhor amiga, Taylor, está fazendo o melhor que pode para fazê-la superar a morte de Suzannah e o término do seu quase relacionamento com o garoto que mais amava.

Amava? Belly não consegue esquecer as últimas palavras que disse para Conrad, aquelas palavras ditas para ferir, ditas para esconder o quanto tinha sido ferida, e não sabe se vai ter como reparar o erro. Quando Jeremiah aparece pedindo sua ajuda, ela pode inventar mil desculpas para aceitar, mas a realidade é que queria poder reencontrá-lo mais uma vez e corrigir o erro que tanto a assombra.

Tudo é relativo, suponho. Você acha que sabe o que é o amor, você acha que sabe o que é dor de verdade, mas não sabe. A gente não sabe nada.
 — página 41

Jenny nos envolve nos sentimentos da personagem principal com uma intensidade que nos aproxima da leitura apenas por sentir exatamente aquilo que Isabel sente. Vemos como cada um lida com a dor da perda, e vemos como as consequências disso podem mudar toda uma história. Ao final, sabemos tanto quanto Belly que não há mais volta, e isso nos faz querer ter em mãos o último livro para saber como a escritora vai lidar com isso.

Independentemente da situação, Sem Você Não é Verão nos prende, envolve, aquece o coração. Uma perfeita continuação para o livro anterior, e ainda que se passe em poucos dias é exatamente o que precisamos saber após ‘O Verão que Mudou Minha Vida’. As personagens continuam tão bem caracterizadas quanto antes e achei cada ação condizente com a personalidade de cada uma delas.

“Mas não me arrependi. Nunca me arrependi, nem por um segundo. Como você se arrepende de uma das melhores noites da sua vida? Não se arrepende. Você se lembra de cada palavra, cada olhar. Mesmo quando machuca, você ainda se lembra.”

É um livro mais intenso (comparado a outros do gênero), que chegou a me fazer chorar em algum momento e, apesar de não gostar de chorar lendo, admito que cada minuto valeu a pena. O que me resta agora é esperar ansiosa pelo próximo — e rezar para que seja impresso logo!

SEMPRE TEREMOS O VERÃO

Sabe a sensação de quando você finalmente tem um livro pelo qual esperou muito tempo em mãos? Aquela coisa de estar maravilhada, querendo ler logo, notando qualquer defeitinho… Pois é, essa fui eu pegando Sempre Teremos o Verão para ler.

Achei que ia demorar para ler — estou naturalmente demorando mais, sem muita paciência para longas horas sentada ou deitada segurando o peso de um livro. Fase. Isso ficou claro no momento que comecei a ler o livro de Jenny Han.

Sempre Teremos o Verão encerra a trilogia Verão, que começou sendo uma delícia de leitura, mas algo bem mais simples, e se transformou em um livro de influenciar muitas vidas. Quando as coisas “desandaram” no primeiro livro, achei que sempre ia faltar uma parte, sabe? De fato, faltou. Mas a autora soube usar isso a favor da história em todos os momentos certos.

“E o amei de um jeito que só é possível quando se ama pela primeira vez. É o tipo de sentimento inexperiente e que não se quer deixar de sê-lo — é confuso, imprudente e intenso. Amor assim só acontece uma vez na vida.”

Eu odeio triângulos amorosos, principalmente se envolverem irmãos. Exatamente o que a série propõe. Entretanto, de forma bem estranha, admito, acabei me focando em duas coisas: com quem eu queria que ela terminasse (sempre, não consigo deixar de lado esse meu eu romântico) e o crescimento de Belly.

Quando descobri que ela ficava com o cara que eu desejava (sim, eu procuro spoilers do tipo) suspirei tranquila e me foquei na história em si. Sem arrependimentos, porque esse não é um livro, nem uma série, que depende do casal para ser boa.

“Mas o simples fato e enterrar uma coisa não faz com que ela deixe de existir. Aqueles sentimentos sempre estiveram ali. Por todo esse tempo. Eu simplesmente tinha que encarar.”

O último livro tem um ar muito mais pesado que os outros dois, entretanto. Ao longo de toda leitura, senti tristeza — por Jeremiah, por Belly, por Conrad, pela mãe de Belly, por Suzannah não estar mais ali. Uma nostalgia que não foi embora nem com o final, mas com certeza marcou a leitura.

Isso não foi exatamente positivo, todavia fazia parte do crescimento das personagens. Fazia parte delas assumirem a falta de controle sobre o tempo, o destino, as coincidências — sobre a vida. Então como não admirar até mesmo o fato de Jenny Han conseguir despertar esse sentimento?

“Talvez seja assim com todo primeiro amor. Ele se torna dono de um pedacinho do seu coração para sempre. […] Para o resto da vida eu pensaria nele com carinho […]. Os primeiros eram importantes. Mas eu tinha certeza de que os últimos eram ainda mais.”

Devo dizer que amei cada segundo da leitura, que durou apenas algumas horas, mas a encerrei querendo saber mais do casal final. Senti falta disso, momentos que esperei durante todos os três livros. E, apenas por esse fato, não se tornou um dos favoritos.

É uma série sobre perdas, amor, crescimento e respeito, por isso indico para toda e qualquer pessoa — independentemente da sua idade. Com certeza alguma parte vai tocar você como várias partes me tocaram. E isso nos transforma um pouquinho, sabe? Em pessoas melhores. Recomendadíssimos.


NOTA ★★★★★ ❤

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