Literatura

Resenha | Trilogia Slammed, de Colleen Hoover

MÉTRICA

Layken tem 18 anos e está se mudando para uma nova cidade: após a morte de seu pai, sua mãe não estava conseguindo pagar todas as despesas e, com o novo emprego e a nova casa, a situação financeira vai se estabilizar. Para Kel, seu irmão de nove anos, a mudança não é tão problemática, mas, para Lake, é.

Logo quando chegam, Kel arruma um novo melhor amigo, Caulder, que é irmão mais novo do garoto de 21 anos que mora na casa defronte, Will. O interesse mútuo precisa apenas de uma imitação de zumbi (uma brincadeira com os dois meninos) para surgir.

Arrependimento é contraproducente. É ficar se lembrando de um passado que não pode mudar. Duvidar das coisas à medida que elas ocorrem pode evitar que o arrependimento surja no futuro. […] As pessoas vivem tomando decisões espontâneas com base no coração. Mas os relacionamentos têm a ver com muitas outras coisas, não só com amor.

Não demora muito para o primeiro encontro ser marcado e ele a levar para uma boate. Ao contrário do que se imagina, não é para dançar. Todas as quintas, a boate fecha para uma competição de Slam, que nada mais é que poesia falada e interpretada. Mas é claro que o romance deles não acaba sendo apenas poesia…

Prefiro não falar muito além disso, porque a surpresa em cada página foi um dos motivos para que eu me apaixonasse tanto pelo livro. Métrica despertou o meu amor desde a primeira página e, sim, é muito clichê falar isso, mas foi uma das poucas histórias que eu fiquei relendo praticamente toda frase para demorar mais a ler. E, ainda assim, custaram-me apenas dois dias.

Isso que está acontecendo entre a gente, seja lá o que for, é mais do que uma paixão qualquer. Neste momento, não sou mesmo capaz de compreender como deve ser ter o coração partido de verdade. Se eu sentir uma dor apenas um por cento mais forte do que a que já sinto agora, abdico do amor. Não vale a pena.

Para início de conversa, não é viável não se apaixonar por Will e não desejar tanto que ele existisse, fosse o seu vizinho e se apaixonasse por você. Ele é engraçado, romântico, responsável e tenta não deixar seu passado definir seu presente. Lake, por sua vez, está passando pela tristeza ao perder o pai, tentando lidar com a mudança de cidade e se esforçando muito para não pensar em Will 24 horas por dia.

Colleen Hoover cria personagens interessantes e os coloca em situações realísticas, trabalhando bem as consequências de suas escolhas e ações. Além disso, monta uma noção de família extremamente bonita, que nos faz dar sorrisos e até mesmo secar uma ou outra lágrima.

— Não foi a morte que deu um murro em você, Layken. Foi a vida. A vida acontece. Merda acontece. E acontece muito. Com muita gente.

Sua escrita é envolvente, então se prepare para estar preso à leitura em todas as 304 páginas. Prepare-se também para a ansiedade maluca de querer o próximo livro para ontem. É isso que ele fez comigo e é assim que eu estou extremamente ansiosa para a continuação que, felizmente, continua a história de Will e Lake.

A vida quer que você agarre tudo o que há de organizado,
em ordem alfabética e cronológica. Ela quer que você
junte tudo.
mexa tudo,
misture.

PAUSA

Admito que estava muito receosa quanto a leitura. Não me entendam mal, a Colleen Hoover é sim incrível na narrativa e nem por um segundo duvidei disso. Entretanto, convenhamos que às vezes cansa essa história de ex namorada aparecendo para estragar a vida do casal. Como era de se esperar, a autora jogou fora todos os meus receios e me presenteou com uma leitura inesquecível.

Em Pausa, Will está cursando o mestrado. É numa das primeiras aulas que encontra a namorada que o abandonou logo após a morte de seus pais. Como se isso não fosse ruim o bastante, ela resolve que voltar com ele pode ser uma ótima ideia e se diz arrependida por ter feito o que fez.

Então obrigado por tê-la compartilhado com a gente. / Ela possuía mais conselhos sobre / a vida e o amor e a felicidade e a mágoa / do que qualquer outra pessoa que já conheci.

Para ele, todavia, não havia nada a ser questionado ou repensado. Will deu o ponto final na história há muito tempo, coisa que, aparentemente, ela não conseguiu fazer. É claro que em algum momento Lake descobre, já que ele teve seus motivos para não contar antes, e não é nada bonito.

Mas, apesar de parecer, eles não estão sozinhos: há pessoas que os cercam que vão servir de suporte para os momentos difíceis.

E isso é exatamente o que eles precisam. Afinal, o destino fez do começo deles o mais difícil, e não seria diferente agora. Essa é, sem dúvida, a parte mais importante da narrativa maravilhosa de Colleen Hoover.

E não, eu não preciso de dias, nem de semanas, nem de meses / para descobrir por que amo você. / Para mim, essa resposta é fácil. / Amo você por causa de você. / Por causa de / todas as / mínimas / coisas / que você é.

Disse no início da resenha que estava receosa com o primeiro tema que a autora aborda. A surpresa é que, por ser escrito na visão de Will, não passamos por todo o drama e questionamento feminino — que, vamos ser sinceros, pode ser bem cansativo. Sabemos como ele pensa, entendemos seus motivos para agir do jeito que agiu e de forma alguma somos levados a duvidar do sentimentos e/ou intensões de Will.

O que lemos é um homem que, sem entender direito o motivo das reações, está tentando provar seu amor para a mulher que ama e adora esculpir abóboras. Achei inovador e mais gostoso de ler. Podemos ver Lake de uma outra forma, às vezes mais engraçada, outras mais desesperada, sempre mostrando sua personalidade forte.

Não sabia o quanto estava precisando ouvir isso até esse instante. Às vezes é bom sentir todos os seus maiores medos diminuindo por causa de um único elogio.

A segunda parte de Pausa não foi o que eu estava esperando ao longo da leitura. Foi intensa e emocionante. Deixou aquela vontade doida por uma novela que contasse um pouco mais da rotina dos dois — e a esperança de ver um pouco disso em Essa Garota, o último livro da série. Sem pensar duas vezes, o livro entrou para minha lista de preferidos inesquecíveis. Realmente vale a pena ler, muito pelo jeito único da autora de explorar situações realísticas.


NOTA ★★★★

Carioca apaixonada por marketing na casa dos 20 e tantos com uma grande incapacidade de ficar parada e uma vontade louca de conhecer o mundo.

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