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Um café e um amor, ambos bem quentes, por favor!

O amor é um dos melhores campos de estudo (senão o melhor deles), mas ás vezes não é um dos melhores campos da vivência.

A complexidade do envolvimento amoroso permeia hoje questões antes não debatidas. Vivemos em uma era de incômodos sociais e pessoais caracterizados pela carga do desinteresse.

Não precisamos ir muito longe para perceber que a nossa atualidade, ao mesmo tempo em que deixa cair a máscara do amor romântico, cultiva (de modo artístico, em sua maioria) um novo “baile de máscaras“: quem mantém por mais tempo o desinteresse nestes novos modelos de relacionamentos.

Precisamos sintetizar que, o oposto do amor romântico é o amor em desencanto. Pois, não encantamos e nem somos encantados pelo outro. Aqui, o outro é somente um espelho que nos fornece auto conhecimento, o combustível principal em uma relação amorosa saudável.

Neste, somos o que somos de forma nua, crua, transparente, real e sincera. Aqui não temos a necessidade anterior de nos entregarmos ao outro por qualquer motivo que não seja o amor em essência. Em pureza.

O interesse é no resultado da relação, na construção dos momentos, na vivência do presente e no planejamento do futuro.

Ouso dizer que o amor romântico nada mais é do que uma ilusão egoica enraizada em uma sociedade que no hoje, aplaude e comemora a falta e não a presença.

Musicalmente, se tornou lugar comum tratar a não existência do amor como algo positivo. Estar sozinho e se embriagar de uma ou de várias paixões sexuais que mal duram uma noite, é a “moda”. Moda ditada pelo desinteresse. Desinteresse do próximo. Desinteresse de mim. Em mim. Por mim.

Até quando a superficialidade e a futilidade permearão esses novos modelos amorosos?

É saudável nos esquivarmos de um relacionamento em que haja compromisso e responsabilidade emocional entre os parceiros? Fala-se muito da liberdade no sentido de possibilidade de oferta e procura, mas não da liberdade de amar e ser amado sem culpa. Sem receio.

Desencantar-se não é relacionar-se sem paixão, sem desejo. Desencantar-se é conhecer-se a tal ponto que não fazer mal psicológico ao outro é prioridade. “O que não queres para ti não farás ao próximo.”

A empatia.

Desencantar-se é ter plena convicção da SUA responsabilidade emocional ao interagir com o emocional do outro. Se não quer fazer planos, não cause danos.

Amor em desencanto é a entrega de dois (ou mais) que sabem que qualquer relação humana está fadada ao fracasso. Devido a falta de tempo ou a falta de afago. É utilizar-se de seu auto conhecimento para não sofrer e não fazer sofrer.

Em contrapartida, a busca por um amor ilusório contempla corações angustiados sedentos por viver a grandeza mostrada em filmes e livros de romance.

Interesse e desinteresse colocados na balança. Quem vence no hoje? Quem perde no amanhã?

Queremos amar como queremos beber uma xícara de café frio mas desejamos ser amados como queremos beber uma xícara de café bem quente.

Entre ser frio, morno ou quente, escolha aquele que não vai te machucar e consequentemente, não te fará machucar os outros.

De todos os amores, o primeiro a nos guiar sabiamente é o amor próprio. Una-se a ele com consciência jamais com egocentrismo. Afinal, quem fere hoje, amanhã será ferido.

Sobre cicatrizes de amor, você as recebeu ou as provocou?

Psicóloga Criminal, pós graduanda em Perícia Criminal e Toxicologia Forense, quase especialista em Serial Killers. Escritora por amor.

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