Críticas,  Literatura

Resenha | Um Cavalheiro em Moscou, de Amor Towles

*Recomendo a leitura desta resenha ao som de La Follia de Antonio Vivaldi.

Um Cavalheiro em Moscou, de Amor Towles, é uma das novidades da Editora Intrínseca. Vale ressaltar que a editora manteve a capa original nesta publicação — felizmente, pois é linda em detalhes sutis.

Confesso que dificilmente me encanto por livros não técnicos, principalmente quando são ficcionais, acredito que devido ao hábito de uma leitura específica. Porém, livros com tendências históricas em períodos pós ou durante a guerra tendem a me animar in extremis.

Não esperem uma leitura pesada ou cansativa de Um Cavalheiro em Moscou pois, apesar do enredo, Towles é gentil e de uma delicadeza única em sua escrita.

Estamos em 1922 no centro de Moscou, num Junho tipicamente morno e primaveril. Período pós revolução.

À nossa frente, o famoso Teatro Bolshoi, um passo atrás de nós o Hotel Metropol na época em que reluzia em seu esplendor. E é bem neste hotel (que continua sendo um símbolo da Rússia, mantendo sua importância nos dias atuais) que a nossa personagem principal tem sua história desenvolvida de maneira leve, apesar dos requintes da época em que se passa, e divertidamente, apesar da situação em que o Conde Aleksandr Ilitch Rostov se encontra.

Após ser acusado de ter escrito uma poesia (quando era jovem) contra a revolução, o Conde é condenado a passar o resto de seus dias confinado no hotel onde residia. Do luxo às faltas, de Aristocrata à hóspede do sótão. Acompanhamos então uma das piores perdas na vida de um indivíduo: a perda da liberdade. Não somente de gozar da liberdade de ser o que é, mas também da de ir e vir.

Diante da nova realidade, o Conde é obrigado a trabalhar — o que nunca havia precisado fazer — para pagar as despesas de seu próprio confinamento. Interessante que, apesar da brusca mudança de hábito, ele não perde sua polidez, ternura ou essência, características que o transformaram em um personagem inesquecível da literatura contemporânea.

São essas décadas de confinamento no Hotel Metropol, sem a mínima possibilidade de “escapadas”, sob o risco de ser fuzilado, que fazem com que o Conde interaja não somente com os funcionários, construindo uma amizade sincera, mas também com os hóspedes que vão e vem. São eles, aliás, que firmam sua ponte com o mundo real.

Não é somente o desenrolar da história que nos encanta. São também as frases impactantes e puramente reflexivas ditas pelo Conde. Um Cavalheiro em Moscou conseguiu unir seriedade e leveza, uma conexão incomum, mas muito interessante e prazerosa. É um livro inteligente e indispensável àqueles que priorizam enredos recheados de detalhes.

Amor Towles traz, em seu segundo best-seller, a delicadeza e a felicidade de contemplar personagens únicos a um enredo rico, tão nobre quanto o próprio Conde Rostov.


NOTA ★★★★★

2 Comments

  • Felipe Torres

    Nota e resenha mais que merecidas.
    Está entre meus livros favoritos de todos os tempos.
    Mas o li ouvindo o Concerto para Piano n° 5 de Beethoven.
    Irei reler novamente ao som de La Follia.
    Grato pela dica .

  • Juliana Alencar

    Definitivamente foi um dos livros mais chatos que já li na minha vida, sem contar a personalidade do Conde, que me enlouqueceu. Sinceramente, não o achei cavalheiro, mas apenas um rico esnobe que se acha acima da média em termos de comportamento, pensamento, gostos e atratividade.
    Foram 400 páginas de desperdício de vida. Eu não recomendo.

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