Literatura e História

Vargas Llosa x García Márquez, briga literária?

Mario Vargas Llosa e Gabriel García Márquez são dois importantes escritores latino-americanos, mundialmente conhecidos e vencedores do prêmio Nobel de literatura. Surgiram e estiveram imersos no boom literário latino-americano na década de 1960, quando se tornaram grandes amigos.

Houve um tempo em que os escritores deste mesmo grupo, dos quais podemos acrescentar ainda Julio Cortázar, Jorge Luis Borges, Carlos Fuentes e Alejo Carpentier, formaram a chamada família do boom. Reuniam-se para beber, fala dar vida, discutir literatura, política, tamanha a conexão que mantinham.

Vargas Llosa e García Márquez se admiravam, ambos escreviam um sobre o outro de forma crítica, mas muito respeitosa, produzindo grandes textos como o ensaio, primeiramente apresentado como tese doutoral, do escritor peruano sobre as obras de seu amigo colombiano em 1971: García Márquez: historia de un deicidio.

Gabriel tornou-se padrinho do segundo filho de Vargas Llosa. Além disso, o contexto político na América Latina e suas respectivas ideologias os uniam. Estavam do mesmo lado, “lutando pela esquerda”. Socialistas, apoiaram a Revolução Cubana de 1959 e estabeleceram uma grande amizade com Fidel Castro.

No entanto, em 12 de fevereiro de 1976, em uma noite de avant-premiere de um filme no México, García Márquez foi cumprimentar o grande amigo de braços abertos, mas Vargas Llosa não hesitou em desferir um golpe de direita que deixou o colombiano praticamente nocauteado. Acabava ali a amizade.

Os dois nunca mais falaram nisso. Mas antes de entrar no verdadeiro motivo, é importante salientar que os amigos já não eram tão unidos assim quando em 1971 Vargas Llosa rompeu com a esquerda alegando que o regime já não garantia a liberdade tão necessária para o desenvolvimento da democracia.

O estopim foi o Caso Padilla em 1971, quando o escritor cubano Heberto Padilla foi preso por denunciar as mazelas do regime cubano e, sob pressão, foi obrigado se desmentir.

Vargas Llosa e outros escritores elaboraram um manifesto direcionado a Fidel Castro, que proibiu os escritores latino-americanos que viviam na Europa de adentrarem em Cuba. Anos antes, o escritor já havia criticado o apoio de Cuba à invasão russa à Tchecoslováquia.

No entanto, o motivo principal que ninguém se dispôs a esclarecer de forma escancarada volta-se para questões de relacionamento conjugal, ou, neste caso, extraconjugal. Muitos veículos ousaram dizer que o motivo foi o ciúme de Vargas Llosa.

Naquele momento, o casamento do escritor peruano não andava bem. Isso é verdade. Embora nunca tenha sido confirmado, diz-se que Vargas Llosa manteve um affair com uma aeromoça, supostamente de um país nórdico, afastando-se de sua esposa Patrícia Llosa.

Em meio a essa situação, García Márquez, como amigo da família, prestou apoio à esposa de Vargas Llosa, aconselhando-a. Isso é verdade. O que não se confirma é que o escritor colombiano rompeu a barreira dos conselhos e “avançou o sinal”.

Independente do real motivo, o que se tem de concreto foi a separação de dois grandes escritores, que embora não tenham se falado mais, nem comentado sobre o assunto, não deixaram de comentar em entrevistas e debates literários sobre os trabalhos e ideias um do outro. Por fim, restou-nos todo o precioso material gerado pelos dois escritores até hoje. Quem não perdeu com essa briga foi a Literatura.

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