Filmes

Crítica | Antes que eu vá e a importância de sermos fiéis a nós mesmos

Antes que eu vá é um livro, escrito pela Lauren Oliver, cuja adaptação acabou de chegar aos cinemas. Fui assistir, sabendo que o livro era muito bom, mas com aquela preocupação natural de que, por ser basicamente uma história voltada para jovens adultos, a linguagem seria talvez infantil demais. Ao tratar de assuntos como bullying, suicídio e escolhas, entretanto, o filme se mostra consistente, interessante e, honestamente, relevante.

Tirando o ar dramático que envolve os três temas, foi um filme que caiu como uma luva. Ele fala sobre a gente parar de pensar nos nossos defeitos e focar nessa uma coisa boa que faz parte da nossa personalidade.

Ele deixa claro que não há uma única pessoa no mundo que seja inteiramente boa ou inteiramente ruim. Somos humanos, erramos e acertamos com frequências estranhas — às vezes mais um que o outro, e tudo bem. Não porque a gente pode pedir desculpas e agir como se nada tivesse acontecido, mas porque a gente pode simplesmente mudar a nossa atitude, fazer diferente, tornar importante. Ouvir. Se colocar no lugar do outro.

Quem você quer ser? Que imagem você quer deixar de você? Pra mim, sempre foi importante fazer alguma diferença. Não estou falando de grandes diferenças — nunca sonhei em ser presidente e ter nas mãos o poder de mudar um país, por exemplo. Mas a diferença nas pequenas coisas do dia a dia.

Dia desses, eu estava na dança e minha professora contou da vez que fui assistir a aula para decidir se queria fazer parte daquilo ou não. Eu não lembrava, mas uma mulher começou a chorar porque estava tendo um problema com o marido, e parece que cheguei perto, ouvi e, segundo me disseram, falei alguma coisa que fez a mulher parar de chorar e continuar a aula.

Na minha vida, algumas pessoas foram a mão (e o bote salva vidas) que eu precisava. Eu nunca vou esquecer elas, nem o que fizeram. E acho que é esse tipo de diferença que quero promover. Acho que é assim que quero ser lembrada.

Quem eu quero ser? Bem, são outros quinhentos. Dá um texto imenso só sobre esse assunto. Mas, assim como acontece com todo mundo, quem eu quero ser define minhas escolhas, minhas tristezas, minhas saudades, meus rancores.

Define minhas irritações. Quem eu quero ser desafia minhas inseguranças, desafia meu passado. Desafia meu futuro. Quem eu quero ser me faz acordar todos os dias e sair da cama pensando em como os sentimentos ruins são borrões, e vão passar.

Me faz pensar todo dia em uma coisa boa, positiva, que tenha feito aquele dia valer a pena. Quem eu quero ser está na minha fala, nas minhas frases, nas minhas ações. Porque quem eu quero ser e quem eu sou estão conectados, juntos, em sintonia. Em crescimento. E crescer nunca é fácil.

A personagem, Sam, diz: algumas pessoas tem mais mil manhãs, outras mais 3 mil manhãs, algumas tem só o hoje. Sam que me perdoe, mas, na verdade, não temos todos só o hoje? E, se eu fosse hoje, o que eu estaria deixando para trás? Quantas coisas estariam não ditas? Não escritas? Quantas coisas eu deixaria de fazer, de sonhar, de mudar? Acho que pensar um dia de cada vez nunca foi tão importante quanto é agora.

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