Literatura

As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky

“Eu me sinto infinito.”

No livro de Stephen Chbosky, As Vantagens de Ser Invisível, Charlie começa a escrever cartas para um “amigo” depois que uma pessoa diz que ele o ouviria e entenderia. Assim, em 25 de agosto de 1991, ele começa a escrevê-las. Geralmente Charlie conta sobre seu dia-a-dia, dando mais destaque às situações que, para ele, merecem ser destacadas.

Somos então envolvidos numa narrativa repleta de sentimentos. Acompanhamos os momentos bons e ruins de Charlie e vamos descobrindo, a cada carta, um pouco mais sobre sua personalidade e sua história de vida. São nos detalhes que nos identificamos com a personagem, seja ela qual for (ele próprio, Sam ou Patrik).

“Pela manhã, terminei o livro e depois comecei imediatamente a lê-lo de novo. Qualquer coisa para não sentir vontade de chorar. Porque eu prometi à tia Helen. E porque eu não quero começar a pensar novamente. Não como eu fiz na semana passada, não posso pensar novamente. De novo, não.” (página 103)

Desprevinidos, somos surpreendidos com diálogos interessantíssimos que, junto à cena ilustrada em palavras, despertam sentimentos de um adolescente que de fato é invisível. Pelo menos na maioria das vezes, já que, em outras, seus novos amigos o colocam como principal. Desde a morte do seu melhor amigo, é a primeira vez que Charlie sente que tem alguém para falar. E não estou falando de apenas nós, para quem as cartas acabaram chegando.

O mais interessante do livro é exatamente essa identificação. Ela não é superficial, não é sobre como ele anda, ou fala. É sim na forma que ele escreve e organiza os pensamentos, a forma com a qual lida com seus próprios sentimentos. Foi incrível ler e ver em palavras coisas que nem eu, nem ele, sabemos explicar, mas que estão nas entrelinhas.

“‘Eu morreria por você. Mas não viveria por você.’
Algo assim. Acho que a ideia é que cada pessoa tem que viver para a própria vida e depois escolher compartilhá-la com outra pessoa.” (página 179)

As frases curtas passam a impressão de ser um garoto mais novo do que é, assim como sua inocência às vezes tão extrema. Os sentimentos expressos nas cartas, todavia, são de uma pessoa bem madura, mas que (como todas as outras) tem seus problemas. E (aprendi com Charlie) não faz sentido comparar quais situações são mais difíceis que outras. O mais importante são as mensagens que ele passa, e que agora estão se repetindo na minha cabeça.

“Mas é como quando minha médica me contou a história daqueles dois irmãos cujo pai era um alcoólatra mau. Um irmão se tornou carpinteiro quando adulto e nunca bebia. O outro terminou sendo um bebedor tão mau quanto o pai. […] Então, acho que somos quem somos por várias razões. E talvez nunca conheçamos a maior parte delas. Mas mesmo que não tenhamos o poder de escolher quem vamos ser, ainda podemos escolher aonde iremos a partir daqui. Ainda podemos fazer coisas. E podemos tentar ficar bem com elas.” (página 221)


NOTA ★★★★★

Carioca apaixonada por marketing na casa dos 20 e tantos com uma grande incapacidade de ficar parada e uma vontade louca de conhecer o mundo.

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