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Crítica | Assim é a vida, uma comédia romântica que surpreende

Pierre e Helena estão para se casar — e contratam Max (Jean-Pierre Bacri) para fazer a festa exatamente do jeito que eles imaginam. Ou pelo menos do jeito que Pierre imagina; mesmo quando isso inclui uma decoração que acaba não sendo exatamente o que ele queria, um discurso tão grande que foi encadernado e uma dança meio estranha no ar.

Assim é a vida não traz a história para os noivos, ainda que haja uma situação envolvendo Helena, mas para o que acontece na organização de um evento de grande porte que precisa ser sóbrio, chique e elegante. A música precisa ser perfeita, mas o cantor não está confortável com as tantas exigências dos convidados. O fotógrafo, que poderia ter facilmente sido um vizinho qualquer, está mais preocupado em comer e alimentar seu próprio ego do que tirar boas fotografias.

Max está em uma balança quanto a um relacionamento amoroso, e como tanta coisa pode dar errado em um evento tão bem planejado, ele se questiona. Sua assistente é uma bomba que ou explode em xingamentos, ou faz piadas com os piores cenários possíveis (e assusta todo mundo no processo).

Um dos garçons está de pijama, e parece ter algum tipo de envolvimento com uma das mulheres do casamento. Outro nunca trabalhou como garçom, mas precisa do dinheiro e o que é uma mentirinha de vez em quando?

Com uma equipe que se complementa, é pouco discreta e está prontíssima para complicar as coisas, Assim é a vida se torna a comédia romântica que você quer assistir. De origem francesa, do mesmo diretor de Samba e Intocáveis, e com uma trilha sonora que nos faz sair do cinema cantando mentalmente I love you baby and if it’s quite alright I need you baby, este é o filme perfeito para quem quer ser surpreendido com boas risadas, um romance que não é meloso e um toque dramático que não nos faz revirar os olhos.

Um ritmo ágil guia o espectador por todo o filme, que tem aproximadamente duas horas, e não abre espaço para momentos de muita calmaria. Toda hora alguma coisa está acontecendo, uma mudança de planos que é bem realista e esperada em qualquer tipo de evento um pouco maior, e é brilhantemente acompanhada pela câmera em planos sequência muito bem-feitos.

A interação das personagens também ganha destaque, com interpretações que podem, às vezes, parecer um tanto como caricaturas. Explora-se, neste filme, o ego inflamado, os defeitos que jogamos para debaixo dos tapetes, uma rotina de pessoas que, no fim das contas, acabam também sendo uma família, unidas pelo objetivo de fazer uma festa dar certo e ser inesquecível para quem os contratou.

Isso, é claro, envolve criatividade para resolução de problemas, o que nos leva sutilmente à cena que abre o filme, até então um pouco desconexa da situação apresentada no restante do longa.

Assim é a vida surpreendeu, sem tentar ser maior do que sua proposta indicava, mas realizando-a do melhor jeito possível, trabalhando todas as personagens no nível certo para que não se deixe pontas soltas, ao mesmo tempo que nos dá a permissão para adivinhar alguns passos do passado e do futuro das personagens.


NOTA — ★★★★

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