Críticas,  Literatura

Resenha | Duologia Lobo por Lobo, de Ryan Graudin

Uma característica que percebi nas obras de Ryan Graudin — e a que mais adoro nela — são as adaptações das ficções criadas sobre acontecimentos históricos reais. Tive meu primeiro contato com ela em A Cidade Murada, distopia ambientada em uma antiga favela da China que não existe mais.

Agora, Lobo por Lobo, seu mais recente lançamento, constrói um universo distópico assentado sobre os pilares da vitória do Eixo na Segunda Guerra Mundial.

Década de 50 do século dezenove. Conhecemos Yael, uma jovem judia que ainda criança é levada a um campo de concentração juntamente com sua mãe. Lá, ela torna-se cobaia de um experimento de mutação genética que objetiva transformar as características que a tornam judia em uma genuína ariana.

Mas o resultado do experimento vai além do esperado: Yael não somente tem sua aparência modificada, como também adquire a capacidade de transfigurar-se em qualquer outra pessoa do sexo feminino.

Anos após o experimento, Yael é agora membro da resistência ao governo Hitlerista e possui a missão de cortar o mal pela raiz, fazendo uso de suas habilidades para assassinar o Führer.

O momento perfeito se aproxima: o início do Tour do Eixo, a corrida anual de motocicleta em comemoração à vitória do Eixo, em que jovens alemães e japoneses disputam o primeiro lugar. Tudo o que Yael precisa fazer é transmutar-se em Adele, a primeira mulher vencedora do Tour do Eixo, que no ano anterior venceu a corrida e teve a oportunidade de dançar com Hitler.

Perto o suficiente para matá-lo. Com câmeras mais que suficiente para documentar o ocorrido e mostrar ao mundo que o terceiro Reich morreu junto com seu Führer. Sob a pele de Adele, Yael precisa vencer a corrida do Tour do Eixo. Ou morrer tentando.

O livro é incrível. Não tenho muito mais além disso para descrevê-lo. Fui conquistada pela premissa antes mesmo de iniciar a leitura e, quando já estava mergulhada na história, só fiz me encantar ainda mais pelo trabalho de Ryan Graudin.

A autora apresenta uma protagonista extremamente forte, mas mostra ainda o que a tornou forte. As pessoas que passaram por sua vida e a tornou o que é hoje. Os lobos que construíram sua essência e que estão tatuados, um por um, em seu braço esquerdo, cobrindo o que antes a caracterizava como um experimento, alguém sem nome: os números que a resumiam em um monstro.

Além de tudo isso, tive uma experiência muito intensa com a leitura e os perigos presentes no desenrolar da trama. Isso porque o meu conhecimento prévio dos acontecimentos históricos e de como a sociedade mundial foi tomada pelos horrores da Segunda Guerra me fizeram tem uma noção muito clara dos perigos pelos quais Yael passava.

No fim das contas, achei que o livro desenvolveu todos os aspectos de maneira muito positiva. Eu gostei de a autora não ter se estendido muito nas cenas da corrida, ter mostrado o essencial, já que estamos falando de milhares de quilômetros.

Ainda, achei muitíssimo positivo o fato de a narrativa voltar-se muitas vezes para o passado de Yael e como sua trajetória se deu até o presente momento, além de também explicar quem são os lobos tatuados na protagonista e qual a relevância deles em sua vida.

Contudo, até agora, alguns dias depois de ter lido o livro, ainda tenho dúvidas se o romance que foi apresentado na obra foi realmente intencional para ser um desenvolvimento romântico entre as personagens ou foi apenas uma das milhares de estratégias que a protagonista usou em busca de seu objetivo.

Ao meu ver, esse aspecto da história foi tão sutil e tão insignificante se comparado aos demais que eu nem ao menos pensei que ele pudesse de fato acontecer. Lobo por Lobo cumpre seu papel de apresentar um universo distópico bastante envolvente e cativante, acredito que principalmente por abordar um acontecimento verídico da história mundial.

A narrativa de Ryan Graudin permanece fluida, porém beirando a poesia em muitos momentos — o que de maneira alguma compromete a dinâmica da leitura. O desfecho da história me surpreendeu demais. Por mais que eu tenha visto anteriormente algumas pessoas falando que já esperava aquilo, eu de fato não imaginava que pudesse acontecer.

Fiquei extremamente surpresa e desesperada pela continuação. Acredito que o livro irá conquistar ainda mais leitores para o hall de fãs de Ryan Graudin. Se você gostou de A Cidade Murada, prepare-se para Lobo por Lobo.

SANGUE POR SANGUE

Após o fim nauseante de Lobo por Lobo, Ryan Graudin retoma sua narrativa eletrizante a partir do exato ponto em que o livro anterior termina. Yael, a jovem heroína judia, após descobrir que sua missão falhou drasticamente, precisa fugir e descobrir quais serão os próximos passos.

Agora, com todo o mundo em polvorosa após os acontecimentos desencadeados por ela, Yael deverá ser cuidadosa e meticulosa. Mas não contava que Luka, seu rival no Tour do Eixo, fosse segui-la, nem que Felix, o irmão da garota por quem ela se passou durante toda a corrida, fosse ver nela a forma perfeita de salvar sua família. Juntos, os três desenvolverão papéis individuais que resultarão em grandes feitos no futuro. Resta saber se eles serão bons ou ruins.

Fim da duologia, Sangue por Sangue fecha a história de forma magistral. Atendendo às minhas expectativas, Ryan Graudin me surpreendeu ao superar minhas expectativas.

Desenvolveu a história da mesma forma viciante que no livro anterior, me bombardeando com acontecimentos que a cada segundo colocava em xeque as minhas certezas do que eu imaginava que iria acontecer a seguir.

Além disso, a autora também abordou outros elementos no desfecho da história, com muitos fatos históricos bastante bem elaborados, tendo em vista que se trata do retrato fictício do fim da Segunda Guerra Mundial.

A autora ainda soube explorar muito bem novas faces dos personagens, que foram igualmente surpreendentes aos desdobramentos da história. O livro é, sem dúvidas, uma excelente finalização de uma série incrível, que mescla fatos e personagens históricos, muita ação e suspense trabalhados em uma narrativa muito cativante e fluida. Os amantes de ficção e distopias precisam conhecer essa série!


NOTA DA SÉRIE — ★★★★★

resenha por Reniére Pimentel
exclusivamente para Versificados

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