Filmes

Crítica | Liga da Justiça de fato entrega o que promete

Sabe quando a gente ficou feliz quando Harry Potter teria mais tempo de filme? E o quanto esperamos ansiosamente que todos os filmes durassem mais? Não queríamos ir ao cinema para ficar apenas 90 minutos comendo pipoca, queríamos ver nossos heróis, vilões, sonhos, romances e por aí vai por tanto tanto quanto possível.

Naturalmente, notícias falando que determinado filme teria mais que 120 minutos (2h) enchiam nossos olhos. Pensávamos “esse filme só pode ser bom”. E, às vezes, era mesmo. Mas vamos ser honestos que, na maioria dos casos, só vinha com muita cena desnecessária. “Bacaninha… mas podia ter enrolado menos, né?”

Liga da Justiça tem exatos 119 minutos, duas horas de filme — e não enrola nem um pouco. Consegue apresentar todas as personagens de uma forma que Esquadrão Suicida não conseguiu: direta, bem-feita, impactante. Mulher Maravilha e Batman já são velhos conhecidos, e ainda assim foram bem explorados logo no início do filme, criando uma sintonia com os que estavam por vir.

The Flash, ou Barry Allen, é a veia cômica do longa. Ezra Miller conseguiu pegar o essencial do que seria engraçado, juntar com o relevante e formar um personagem empático, claramente ainda em formação. E tudo bem, porque não soa como se estivesse inacabado ou minimizado diante dos demais, só deixa claro que Barry ainda é jovem e com pouca experiência, sem ter certeza de até onde pode ir com seus poderes¹.

Aquaman é o mais perto de ser estereotipado (e não sei se isso faz parte da personagem do quadrinho ou se foi uma construção que, convenhamos, cabe como uma luva na interpretação de Jason Momoa). Arthur Curry tem toda aquela pose de machão indiferente, que não sente medo, com quem você não quer discutir ou arrumar uma briga porque sabe que vai perder. Seus dois momentos mais humanos estão no fato dele ajudar uma vila a ter o que comer e quando a liga está quase completa, indo para uma batalha que não exatamente tem como vencer.

Ciborgue foi, talvez, o que me deixou mais receosa. Victor Stone teve que trilhar parte do seu caminho em pleno filme, aceitando sua nova forma, com um corpo que não entende e no qual não consegue ficar em plena sintonia. Pensei: “não vai dar tempo, vai ficar corrido”. Surpreendentemente, não ficou. Fluiu naturalmente, e foi a personagem que mais cresceu no longa.

Por fim, no que se diz respeito às personagens em si, O Lobo da Estepe é, de fato, um vilão à altura. Sua história não foi exatamente explorada, tornando-o menos interessante, ainda que forte e com um objetivo desafiador para a Liga. A ideia de poder ligado ao medo se mantém interessante, já que é uma reação natural e incapacitante muito humana. Medo nos torna vulneráveis, e isso não poderia ser diferente para os super-heróis.

Liga da Justiça

Ironicamente, o medo se torna questionável exatamente com o renascimento de deus, digo, Kal-El. O não-humano que se adequou muito bem à Terra e entende mais sobre essa vida que o próprio Batman, o único da Liga que depende inteiramente do dinheiro para fazer a diferença. Apesar de tentar manter um equilíbrio no que se refere aos super poderes e funções — e, até certo ponto, conseguir — , é o Super-homem que se reforça como salvador da humanidade, com umas cenas aqui e acolá que não têm muito como fugir do cliché.

Por um trabalho bem-feito, nenhum dos heróis fica apagado no longa. A Liga da Justiça segue o padrão: heróis que estão acostumados a lutar sozinhos se veem obrigados a se unir em nome de um bem maior (salvar o mundo, claro) e acabam se tornando uma equipe. Seguir o padrão, entretanto, não é ruim.

A palavra “equipe” é levada à outro nível quando todos estão realmente juntos, gerando cenas de ação que mandam muito bem na interação das personagens, com efeitos especiais maravilhosos e uma trilha sonora que complementa todo o cenário de forma ideal.

As cenas das Amazonas continuaram me encantando tanto quanto em Mulher-Maravilha, e a expectativa para para o filme do Aquaman foi um pouco mais elevada diante do pequeno preview do mundo subaquático. Liga da Justiça inicialmente pareceu que forçaria a barra por conta das frases características, mas que soam pedantes aos nossos ouvidos, porém entregou o que prometeu e nos deixou ansiosos pelas próximas produções do mundo da DC, especialmente depois da última cena pós créditos.


NOTA ★★★★★

¹obrigada Lucas por este comentário que realmente fez todo sentido.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!