Literatura e História

Literatura engajada

Há quem diga que a discussão do tema literatura e engajamento já foi mais assídua. Com seu ponto alto no fim da Segunda Guerra, floresceu com Sartre, se desenvolveu com tantas outras figuras importantes como Albert Camus, Gabriel Marcel, Roland Barthes, etc.; perdendo espaço nas últimas duas décadas, sendo retomada apenas pontualmente para falar de autores que vivenciaram as décadas de 50, 60 e 70 e se reconhecem engajados.

E é este o tema que o livro de Benoît Denis, Literatura e engajamento — de Pascal a Sartre, trabalha. Discute essa relação de literatura e a escolha pelo “engajar-se” dos escritores, as suas responsabilidades, os diversos gêneros pelos quais se expressavam, o embate entre arte x realismo político, entre outros.

Depois de realizar — sob a direção de Jacques Dubois — uma tese sobre Jean-Paul Sartre e a gênese de seu conceito de engajamento literário, Benoît Denis tornou-se chefe do departamento de línguas e literaturas românicas na Universidade de Liege, na Bélgica.

Sua especialidade é a história da literatura francesa do século XIX e XX, voltando-se para o estudo da relação entre literatura e política. Ele também é especialista em literatura francófona da Bélgica: com o professor Jean-Marie Klinkenberg, com quem está trabalhando atualmente, dirige o Centro para o Estudo da literatura francesa na Bélgica (Celifrab).

Nos últimos sete anos tem pesquisado a história social da literatura na Bélgica. Finalmente, como Diretor do Centro de Estudos de Georges Simenon na Universidade de Liege, publicou extensivamente sobre este escritor, incluindo edições críticas.

Com toda essa vasta experiência presente no livro, o autor nos garante uma importante ferramenta para expandir nosso conhecimento sobre a questão do engajamento e a literatura. Indicando-nos que falar de engajamento significaria voltar a se interrogar sobre o alcance intelectual, social ou político de uma obra, desde que o autor tenha escolhido se engajar.

É importante ressaltar ainda que, ao engajar-se, o escritor se inscreve num processo que a literatura precisar servir a alguma outra coisa que não ela mesma, não tem um fim em si mesma. “Colocar em penhor, fazer uma escolha e estabelecer uma ação” são os três componentes semânticos essenciais que determinam o sentido do engajamento.

Enfim, embora pareça um tema bem acadêmico, o livro interessa a todos aqueles que dedicam horas e horas à literatura, seja por trabalho ou entretenimento, ajudando-nos a compreender a intenção de diversos autores com seus textos engajados, quais os caminhos e como fizeram uso dos gêneros literários juntamente com suas técnicas.

Este livro, como o próprio Denis nos indica,

“se coloca antes de tudo em termos literários e estéticos. O engajamento implica numa reflexão do escritor sobre as relações que trava a literatura com a política (e com a sociedade em geral) e sobre os meios específicos dos quais ela dispõe para inscrever o político na sua obra.”

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