Filmes

Crítica | O espaço entre nós: uma promessa Netflix não concretizada

Estrelado por Asa Butterfield (de Ender’s Game e O Lar das Crianças Peculiares) e Britt Robertson (de A Primeira Vez e Tomorrowland), O Espaço Entre Nós traz como premissa o adolescente Gardner Elliot, cuja mãe partiu em uma missão no espaço para, pouco depois, descobrir que estava grávida. Sem opção, ela teve o filho no único lugar possível: em plena base da NASA em solo marciano.

Gardner cresce em meio a cientistas e sabe apenas que sua mãe morreu ao dar a luz a ele. Ele não tem certeza sobre quem é seu pai e conhece pouco da Terra. O único contato real que possui com o planeta vem a partir das conversas com Tulsa, uma adolescente cuja vida está longe da perfeição. Determinado, ele planeja sua vinda à Terra e, quando eventualmente chega, procura pela única pessoa que conhece.

Dirigido por Peter Chelsom, também diretor de Dança Comigo? (2004) e Hector e a Procura da Felicidade (2014), O Espaço Entre Nós é o típico filme leve para momentos de tédio. Não que essa seja a melhor descrição que eu poderia usar para este filme, mas a verdade é que, apesar das boas atuações, o roteiro previsível e cheio de falhas (que não podem ser justificadas pela premissa não realista, com a qual na verdade não tenho nenhum problema) não permite muitos elogios.

Não que seja necessariamente um filme ruim, só que a sequência de fatos é tão irreal quanto a premissa. Quer dizer, quando o garoto com quem você fala todo dia desaparece por sete meses e aparece na sua escola, você com certeza só brigaria um pouquinho (por aproximadamente um minuto) e depois partiria com ele numa viagem de carro à procura do pai dele, certo?

Isso considerando que: (1) você deixa claro que não acredita nas justificativas dele para o sumiço, (2) nem nas justificativas sobre a doença misteriosa que o impedia de “sair de casa”, (3) você nunca o viu na vida, (4) mas tudo bem porque ele aparece com um bolo de dinheiro pra pagar todas as despesas.

E, tudo bem, deixando de lado os erros que mais me soaram como preguiça dos roteiristas de desenvolver melhor o encontro de Gardner e Tulsa — e o natural romance que surge entre eles, sem surpresas aqui — , O Espaço Entre Nós na verdade consegue nos prender a momentos interessantes e fofos. E é por isso que é um filme bacana para ver quando se quer algo bastante leve e sem pretensão de que seja particularmente bom.

Preciso destacar, todavia, a fotografia do filme — que realmente ficou muito bonita — e a trilha sonora. Fica a dica para Need the Sun to Break, do James Bay; Stay Right Where You Are, da Ingrid Michaelson e At Home, da banda Crystal Fighters.


NOTA ★★

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!